domingo, 11 de maio de 2008

Que paga a conta?


Quando implantou o frustrado Plano Cruzado, o então presidente José Sarney conclamou as ruas a agirem como seus fiscais para conter a alta dos preços. Foram momentos históricos, com o povo combatendo os aumentos e até fechando supermercados em nome da nova ordem. Era tudo novidade e nacionalismo. Deu no que deu. O plano foi para água abaixo e o povo ficou a ver navios, com uma inflação que esbarrou nos 80% mensais. Sarney misturou interesses políticos com economia adiando ao máximo suas decisões para tirar proveito do quadro de euforia que se instalou.


Na semana passada, o presidente Lula, que surfa numa inédita onda de prestígio - nunca neste país um presidente teve índices tão altos - utilizou a velha fórmula para chamar os usuários a denunciarem os postos que aumentassem o preço dos combustíveis, já que não havia razão para isso. O aumento imposto pelo Governo, de 10%, só valia para as distribuidoras, sendo proibido o repasse. Esqueceram de dizer, no entanto, que o preço é livre e aumenta quem quiser. É apenas uma questão de mercado. A majoração, portanto, não estava defesa em lei.


O que está em conta, hoje, não é, sequer, o aumento.Diversas cidades fecharam a semana encontrando os postos com álcool escasso. Alguns, sequer, o tinham nas bombas, resultado de uma desculpa esfarrapada das autoridades de que as chuvas quebraram as safras e comprometido o processamento nas refinarias. O único fato relevante é o impacto nos preços que, certamente, começará a ser sentido. Ou alguém tinha a ilusão de que o reajuste autorizado por Brasília não chegaria ao bolso do consumidor?


Em economia de mercado ninguém segura o prejuízo, que, por uma perversa lógica, fica na ponta do consumo. Assim, os novos preços, embora lamentáveis, não são apenas pontuais. Na verdade, seguem a rotina de que alguém tem que pagar a conta. O grave, no entanto, é que esse resultado não ficará restrito ao abastecimento. É possível verificar que outras frentes já se movimentam, como nos alimentos, cujos custos também já refletem o reajuste autorizado pela Petrobras. E a explicação é a mesma: os preços de produção e de transporte subiram, não havendo meios de conter o aumento. A conta, de novo, fica por conta do consumidor.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

Um comentário:

Anônimo disse...

E lá vamos nós outra vez, pegar o lápis e fazer as contas.
=/