quarta-feira, 21 de maio de 2008

Investir no jovem


Parte de uma pesquisa apresentada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é o suficiente para servir de suporte quando se coloca em questão os investimentos em políticas públicas para jovens e adolescentes. Uma avaliação rasa, por exemplo, aponta que de cada dois desempregados, um é jovem e tem entre 15 e 24 anos. A pesquisa não chega a esse detalhe - pelo menos na avaliação divulgada inicialmente - mas fica claro que o ingresso no mercado de trabalho continua sendo o grande desafio. É recorrente o pedido de experiência, mas como apresentá-la quando se trata da primeira tentativa? Cria-se um dilema tipo ovo e galinha, pois exige-se capacidade de quem busca, exatamente, essa habilitação, sobretudo num país no qual os investimentos em escolas técnicas ficaram em segundo plano.


Há um outro componente perverso na pesquisa, quando se observa a incidência da violência. Entre 25 e 29 anos estão concentrados os maiores índices de homicídio. Mesmo que não haja correlação, é preciso entender que emprego é uma das formas mais eficazes de combate ao crime. Afinal, ele é a prova material da dignidade humana e da cidadania. O desempregado tem que ser redimido, pois, na sua condição, acaba sendo presa fácil para o mundo dos ilícitos. Não se trata de uma regra, mas se aproxima bem dos fatos.


O mesmo Ipea aponta que 4,7% dos que têm de 25 a 29 anos são analfabetos e estes números quase triplicam quando a avaliação é feita na Região Nordeste. O Governo, apesar do reconhecido empenho na face mais carente do país, tem pela frente um longo caminho a percorrer, pois esses dados, se estratificados para outras faixas etárias, podem ser bem mais alarmantes. No jovem, a preocupação se aguça, pois o analfabeto não consegue acesso ao mercado formal de trabalho.


O país passa por transformações profundas, mas é vital acentuar que promover os jovens e adolescentes é a melhor moeda de investimentos. Um país que se afasta do analfabetismo e do desemprego tende a galgar postos na escala mundial. O Brasil avançou bastante, mas apesar de todos os esforços, eles ainda são poucos, principalmente para quem tem a pretensão de estacionar entre os dez mais desenvolvidos do planeta.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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