
Cidade que dispensa adjetivos não só por sua beleza, mas também pela forma acolhedora do carioca, o Rio de Janeiro está, de novo, sob fogo cruzado. Polícia e bandidos se enfrentam nas ruas, e o crime organizado reage incendiando carros. Até ontem, eram nove veículos atingidos sem uma causa formal. O Governo, por meio do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, atribui a "onda de violência" ao fato de os traficantes estarem emburrados pelo controle de favelas por meio das Unidades Pacificadoras. Com sua linha de fornecimento cortada, estariam encontrando dificuldades para fazer dinheiro, optando por ações violentas para mostrar o seu poder.
A justificativa do secretário faz sentido, pois, sempre que contrariados em suas ações, os criminosos fazem algum tipo de "protesto". No caso, atingindo civis e atirando em postos policiais, mas é preciso considerar que há outras motivações. A cidade tem, desde já, que ampliar as discussões sobre a segurança em função não só de ser o local de encerramento da Copa do Mundo em 2014, mas também sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Não dá para esperar a véspera de tais eventos para tomar algum tipo de providência.
O pedido de ajuda ao Governo federal, formulado ontem pelo governador Sérgio Cabral, serve apenas como medida imediata para o caso em questão, mas o debate não se esgota em ações pontuais. O Rio, mesmo com suas belezas, tem problemas estruturais graves, e a segurança é um deles. Como atrair turistas se não houver garantias de que voltarão ilesos para os seus pontos de origem?
Há a previsão de uma grande reunião em Brasília para discutir a segurança da Copa nas cidades-sede, mas o Rio carece de atenção especial, pois vive sob uma guerra civil ordenada de dentro dos presídios, apontando que se trata de um enfrentamento sem data para acaba





