domingo, 18 de maio de 2008

FESTIVAL DE EXCESSOS


Enfim, mais um capítulo dessa tragédia familiar que se transformou em comoção nacional. A prisão preventiva do casal Nardoni, decretada pela Justiça, talvez tenha sido um dos episódios clímax de toda a trajetória, desde o dia 29 de março quando Isabella foi assassinada. Nessa história, aliás, os momentos de adrenalina se perpassam: ora cartas divulgadas na TV, ora a primeira prisão dos acusados, outrora o circo montado para a reconstituição do crime, entre outros.
Nesse último episódio, da prisão, tem papel para todo o mundo: os policiais que não sei por quais motivos algemam dois acusados que não parecem oferecer nenhum perigo, ou resistência à prisão, e nem sequer são foragidos da Justiça.


A imprensa, que mais uma vez nos “informa” de detalhes que não têm de cara nenhuma relevância. “Anna Carolina Jatobá recebeu o uniforme: uma camisa branca e uma calça caqui.” Ou então, “o café da manhã foi pão com manteiga e café com leite.” Ou ainda “ela dormiu em uma cela fria sobre o papelão, enrolada em um edredom”. Alguém pode me informar que interesse essas “informações” podem nos acrescentar?


Excessos de toda a parte, imprensa, polícia, Justiça, enfim, todos querendo de algum modo se promover sobre um fato que é trágico por si só e que por isso deve ser pensado de forma crítica, afinal se trata de uma vida. É importante repudiar atos como esse, sim, mas é fundamental tratá-lo de forma séria, pensá-lo de forma analítica. A polícia tem o dever de investigar com o máximo de discrição, a Justiça tem o dever de julgar procedentes ou não as provas levantadas, a imprensa de reportar o que de fato importa informar. À população cabe parar para pensar em suas relações familiares e de outra natureza que, em um piscar de olhos, nos levam ao mesmo lugar onde hoje estão os já condenados: uma cela 3x1.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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