quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A MÍDIA NUNCA DIVULGA



Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos.
Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente: ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci; escutar músicas em MP3 de alta qualidade; ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia; ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA. E muito mais....Só de literatura portuguesa são 732 obras! Além disto, poetas, escritores e músicos têm a oportunidade de participar. O site explica como.

Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso desde 2004,basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br

Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acessos é muito pequeno.Em janeiro não atingiu 60 mil acessos. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

HORA DAS REFORMAS




O presidente do Senado, José Sarney, na primeira visita oficial ao presidente Lula, disse que uma de suas metas é andar com a pauta do Congresso, destacando a votação das reformas política e tributária. De fato, são matérias importantes, que até hoje esbarram no jogo partidário, ficando sempre na dependência de uma nova avaliação. Enquanto isso, o país reclama da massa tributária, que afeta o setor produtivo, e da ausência de mudanças no projeto político, mantendo uma legislação com várias áreas de sombra.

Na conversa, segundo relato do senador, foi dito ao presidente que o excessivo número de medidas provisórias e o ritual para a sua tramitação são inaceitáveis no processo democrático. O Governo, desde o ciclo tucano, tem utilizado as MPs como um instrumento - em tese, de urgência - para tocar sua agenda, fugindo dos objetivos que levaram à sua criação. Elas têm prevalência sobre outros projetos e ainda bloqueiam a pauta do Congresso enquanto não forem votadas. Há excesso de papelada parada.

Nessa primeira semana de mudanças nas duas principais casas legislativas, a leitura inicial é de que os dois parlamentares, embora façam parte da base do Governo, têm demandas independentes, sobretudo pelos votos que obtiveram na última segunda-feira, vindos de governistas e da oposição. O senador José Sarney, que esteve por cinco anos do outro lado do balcão, quando ocupou a presidência da República, conhece bem a necessidade de mudanças.

No cenário tributário, a reforma chega com um grande atraso. O Brasil registra uma das maiores incidências de impostos no preço final dos produtos, que acaba comprometendo a vida dos consumidores e a sua performance no mercado internacional. Enquanto nos EUA o presidente Obama faz o jogo protecionista, dando ao setor do aço a garantia de que vai ser beneficiado pelas compras internas, ao Sul do Equador o discurso é outro. Tira-se cada vez mais de quem, de fato, está alavancando a economia. A lição dada pela falência do mercado deve ser levada em conta, a fim de garantir direitos a quem, de fato, trabalha.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Risco nas previsões



O presidente Lula, que continua surpreendendo a todo tipo de análise política, uma vez que nem mesmo a crise global abala o seu prestígio - segundo o Instituto Sensus, ele tem 84% de aprovação -, largou o discurso da marolinha e disse, ontem, com propriedade, que os meses de fevereiro e março ainda poderão ser críticos, sobretudo para a indústria. Não há surpresa no tema, pois a retração é um fato, mas é importante por ter vindo de alguém que até bem pouco tempo considerava o Brasil imune às trepidações da economia mundial.

O mais emblemático, aliás, foi a complementação de que o problema de crédito, nó górdio de todo o sistema, está sendo resolvido. Os três primeiros meses de 2009 serão vitais para a economia, por servirem de termômetro para as medidas que estão sendo tomadas, a começar pelo pacote de quase US$ 1 trilhão pretendido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Se houver algum tipo de reaquecimento, é bem provável que março seja o início da virada.

Mas crise - econômica ou política - é igual a comissão parlamentar de inquérito: sabe-se como começa, mas ninguém ousa prever o seu desfecho. Ao estabelecer o terceiro mês do ano como marco, os economistas agem sob o viés da especulação, com base em projetos que estão sendo implementados, mas ninguém garante que tudo estará mudado. É importante considerar que a queda da economia mundial não ocorreu de uma hora para a outra, sendo, pois, temerário afirmar que tudo terminará de repente.

Há tempos, o mercado vem dando sinais de descontrole, mas os poucos que fizeram algum tipo de advertência foram desconsiderados ou chamados de donos do pessimismo. Agora, quando a meta é sair do poço, não dá para jogar para a arquibancada. O presidente, no alto de todo o seu prestígio, tem mesmo que dizer ao país o que está acontecendo. É desta forma que vai se manter no topo da preferência, pois a população sabe que a gênese do problema foi no andar de cima do cenário internacional.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jogo político

Terminadas as votações na Câmara e no Senado Federal, que consagraram os peemedebistas Michel Temer e José Sarney, respectivamente, os analistas políticos passaram a discutir os desdobramentos das duas eleições. Trata-se de uma rotina da profissão, mas importante, pois 2009, oficialmente um período vazio por não ter eleições, é, na verdade, estratégico para a montagem das primeiras articulações. O Congresso não tem influência direta no pleito, mas é vital na implementação de políticas que repercutem nas urnas.

O deputado Michel Temer foi eleito com o voto da base do Governo e pode ser um aliado importante, mas José Sarney tornou-se uma incógnita. Teve votos de aliados e da oposição, mas ficou sem o apoio do PSDB, a principal legenda para enfrentar o Governo nas eleições do ano que vem. Ele prometeu independência, demonstrando que não tem compromissos formais com o oficialismo, porque esse papel teria que ser desempenhado pelo petista Tião Viana.

Mas não se deve esperar algum tipo de guinada nas relações de Poder. Desde a Constituição de 1988, o Executivo - em todas as suas instâncias - tem o controle da agenda, sendo, além disso, fonte geradora das principais iniciativas, embora esse papel devesse ser desempenhado pelo Legislativo, a quem, como o próprio nome sugere, cabe legislar. Todos os levantamentos, no entanto, apontam que 80% dos projetos têm origem em outra casa, cabendo a deputados federais, deputados estaduais, vereadores e senadores, na maioria das vezes, só os referendarem.

Não se trata de algum tipo de distorção política, pois a Constituinte foi soberana e representou a sociedade que saía de um ciclo das trevas, mas é fundamental que o próprio Congresso vire o jogo, deixando de ser passivo na maioria das matérias, especialmente as que chegam para votação sob a forma de medida provisória. Desde a sua criação, esse instrumento político teve sua essência adulterada, uma vez que a razão principal era amparar medidas emergenciais do Executivo. No entanto, virou rotina, por ser mais fácil de aprovar e de colocar em execução.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado