

As condições das estradas já não ajudam, mas é vital implantar duras campanhas de esclarecimento aos usuários no enfrentamento de uma verdadeira guerra que se estabeleceu nas estradas, principalmente nos fins de semana prolongados, como este. Nos dois primeiros dias, só em Minas, 16 pessoas morreram, antecipando uma perversa estatística, que supera todas as marcas do ano. E não há chuvas, consideradas fator de forte influência nas tragédias. A imprudência é a marca registrada.
Trata-se de um fator que se acentua, paradoxalmente, em estradas de melhor qualidade. Por entenderem que não há riscos, muitos motoristas ultrapassam os limites, num deliberado ato de ignorar a sinalização. Na noite de quarta-feira, quando milhares de paulistanos faziam a rotineira migração para os balneários da baixada, as câmeras que controlam o sistema Imigrantes registraram um veículo na contramão. A motorista, argumentando que não tinha dinheiro para pagar o pedágio, decidiu, por conta e risco, voltar pelo mesmo caminho. Andou 9 quilômetros. Deu sorte por não causar nenhuma tragédia.
O mesmo não pode ser dito no Rio de Janeiro, onde um economista, dirigindo o seu BMW, entrou pela contramão e bateu num táxi. O taxista morreu na hora. O jovem e sua acompanhante nada sofreram em razão do airbag do veículo importado ter sido acionado. Tanto no primeiro quanto no segundo caso, foram ignoradas regras básicas, não havendo nenhum problema com a sinalização.
É fato que o Estado descumpre sua parte ao não dar manutenção devida às rodovias que cortam o país, a maioria delas com sérios problemas na pista de rolamento, sem qualquer tipo de acostamento e de sinalização horizontal inexistente, mas a culpa é coletiva. O somatório imprudência e vias comprometidas é a causa dos dados que apontam para o risco de viajar em fins de semana prolongado. O que seria uma viagem de lazer, para fugir da rotina das grandes cidades, tem se tornado um pesadelo para milhares de famílias.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

Um comentário:
Eu ainda não guio, não pq eu tenha medo de dirigir ao contrário, sinto muita vontade, eu tenho medo é dos malucos que circulam pelas ruas, avenidas e estradas se fingindo de gente normal. E aqui é uma loucurada. É necessária uma campanha muito forte, nas escolas mídia, associações de moradores.... caso contrário continuaremos perpetuando (credo)estes números lamentáveis, a cada feriado e finais de semana.
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