
A exploração sexual de crianças e adolescentes, somada ao trabalho escravo no mesmo ambiente, é um flagelo que merece a atenção coletiva. A exploração sexual deixou de ser pontual, tornando um negócio de milhões que se desenvolve pelo mundo afora, sobretudo com o advento da internet, mas uma das suas facetas mais trágicas pode ser vista nas ruas e nas rodovias. Paradas às margens das estradas e, sobretudo, nos postos de gasolina, as meninas são presas fáceis, vítimas de uma estrutura que não lhes proporcionou a estabilidade do lar. Em razão disso, muitas abandonam a família e vão para as ruas enfrentar o seu próprio destino.
A ação do estado, somada a investimentos dos municípios, tornou-se a melhor ferramenta para esse enfrentamento que vai demandar tempo. A exploração está disseminada por vários flancos, o que implica em multiplicidade de medidas, sobretudo na área educacional. A família, que tem sido a guardiã dos bons costumes, tem que ser prestigiada. A que tem dificuldades, precisa ser assistida, pois é a partir dela que se forja o sucesso ou a frustração da operação. Milhares dessas pequenas vítimas são resultado de ambientes inadequados e quando dele tentam sair, ou são expurgadas, acabam se tornando mercadoria de consumo de incautos, que não medem conseqüências de seus gestos.
Enfrentar esse flagelo, no entanto, não é uma tarefa exclusiva do poder público. A sociedade tem que participar, sobretudo denunciando os abusos, quebrando um trágico pacto de silêncio que acaba contribuindo para a ação dos infratores.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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