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Vox Populi, vox Dei. E os eleitores mostraram que não havia certeza sobre quem deveria manter o Brasil no mesmo ritmo de crescimento que vinha desenvolvendo desde FHC. Se Serra, que prometia salário mínimo de R$ 600,00; aumento da Bolsa Família - que antes criticava; aumento para aposentados etc, ou Dilma, teleguiada de Lula e que deveria seguir as mesmas diretrizes do "padrinho".
E Marina, com seus 20% de votação, torna-se agora o fiel da balança. Ex-petista e ex-ministra de Lula, fez uma campanha impecável, raramente partindo para as agressões, comuns entre os adversários. Agora ela será assediada tanto pelo PT quanto pelos tucanos, porque será ela, na verdade, quem vai decidir o segundo turno.
Sensatamente, ela deixou para o partido a escolha e, ao que tudo indica, deverá ser em prol de Serra. Só nos resta esperar. Quem viver, verá.
Em praticamente todas as eleições, sejam as de caráter geral como agora, sejam as municipais, os eleitores são surpreendidos por promessas de todos os níveis feitas pelos candidatos. Nos programas no rádio e na TV, além de alguns desempenhos que beiram ao cômico, são disparadas ofertas em troca de voto sem o menor sentido, fruto, na maioria das vezes, do desconhecimento do próprio candidato das prerrogativas do cargo que disputa, ou até mesmo da má-fé, em outras ocasiões, apenas para convencer a plateia. Boa parte dos candidatos entende que, sendo titular de um mandato, tudo pode.
Cria-se um afastamento do eleitor, que, diante de tantas mazelas ou proposta sem qualquer possibilidade de execução, se considera no direito de não ir às urnas. Essa postura é mais clara entre os jovens, que seriam um contingente importante na formação dos colégios eleitorais.
È sensivel a falta de interesse de eleitores com idade entre 16 e 18 anos, idade em que o voto é voluntário. Nunca o desinteresse foi tão grande como agora, embora esteja em curso uma eleição que vai preencher vagas nas assembleias, no Congresso e nos governos federal e estadual. A justificativa é a desilusão com a vida pública, somada ao discurso vazio dos políticos em rede nacional.
A reforma não pode tardar no próximo mandato, pois é preciso reordenar o modo de se fazer política no país. Aos partidos precisa ser cobrada maior responsabilidade na definição dos nomes, pois é deles a competência inicial de cobrar probidade de seus candidatos. Outras ações também não podem ser adiadas. Caso contrário, a lista de eleitores desistentes vai aumentar.