quinta-feira, 8 de maio de 2008

CIDADES SEM LEI


O ex-presidente Itamar Franco tem uma frase emblemática para mostrar que Minas é um estado de diversidade. Minas são muitas, enfatiza. Mas se essa observação for projetada para o plano nacional é possível encontrar também vários brasis. Enquanto nas capitais da Região Sudeste, principalmente, a violência urbana é uma rotina, lamentavelmente, sendo incorporada ao dia-a-dia das chamadas grandes cidades, no Norte o cenário é de insegurança em razão dos latifúndios, da luta pela terra e suas riquezas, que em outras partes do país está apenas nos livros de história. E com um agravante: a Justiça tem uma visão distorcida dos fatos e acaba não contemplando os que têm sede de sua proteção. O mais recente episódio foi a absolvição do fazendeiro Vitalmiro de Moura (foto), condenado num primeiro julgamento a 30 anos de prisão, por ser o mandante da morte da freira Dorothy Stang, e, inexplicavelmente, absolvido num segundo júri.


Não se ignora que tais fatos podem ocorrer, sobretudo quando há falhas abissais no processo ou provas cabais que ficaram fora do primeiro julgamento, mas no caso em questão todos os indícios apontam para a pura manipulação dos depoimentos, com um pistoleiro - Rayfran Sales - convenientemente mudando o seu testemunho e o mandante sendo absolvido, com direito a fotos com o V da vitória para a mídia. O assassinato da freira foi um fato abominável sob todos os aspectos, pois ela estava na região cumprindo não apenas um dever religioso, mas também lutando pelos que têm a sede de Justiça.


Esse escárnio tem que ser revisto - dentro dos princípios legais -, a fim de dar garantias aos que lutam diariamente por seu espaço, na região, de que estarão sob a proteção da lei. O Brasil que poucos conhecem ainda vive cenas de faroeste, com o recente enfrentamento entre índios e arrozeiros, que gerou mortes e prisões no Pará, e o controle de terra que induz à violência diária na região. Milhares de pessoas, de acordo com denúncias da Igreja - entre elas padres e bispos - estão juradas de morte, como se os municípios da região fossem cidades sem lei. Serão?


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

Um comentário:

Anônimo disse...

Minha mãe é professora e já deu cursos para professores do interior.
E ficou a par de cada caso inacreditável.
O Pará está recebendo muitos sulistas, principalmente gaúchos e paranaenses. Que no geral se tornam donos de madeireiras ou de plantações de soja.
Estes por sua vez, colocam preço nas terras dos moradores das colônias e quando eles não aceitam vender são "convidados" a sair do que lhes pertence.
Nisso se vão casas queimadas, plantações de subsistência e vidas.
Quero ressaltar que não estou afirmando que isso seja culpa dos gaúchos e/ou paranaenses, pois poderiam ser cariocas, amazonenses, cearenses, mineiros...
[se tem algo que abomino é rótulo e preconceito]
Mas, principalmente do governo do estado que se vende e finge que não vê, não sabe.