
A segunda prisão do prefeito Alberto Bejani, de Juiz de Fora (MG) - foto -, não teve efeitos apenas políticos e administrativos como se leva a crer nas primeiras avaliações. É certo que seu partido, o PTB, encontra-se num beco sem saída para definir que tipo de discurso irá levar às ruas e, até mesmo, se terá cabeça de chapa para apresentar aos eleitores. Também é fato que a administração, até que o vice-prefeito, José Eduardo Araújo, assuma - o que ocorrerá hoje - ficou acéfala, sem um norte definido. Mas há um fator externo que reverbera nas ruas: a sensação de desconforto que atinge o cidadão juizforano.
Telefonei para diversas pessoas da cidade - onde morei por 20 anos - e encontrrei um sentimento unânime de vergonha, pois, pela primeira vez na história de século e meio da cidade, um prefeito vai para a prisão acusado de improbidade administrativa. O debate político, mesmo com denúncias sérias, nunca teve esse viés em seus palanques. Daí, a surpresa, a sensação de impotência e até mesmo de alívio com a ação da Polícia Federal.
O nome da cidade, tão decantado pelo país afora em razão de sua qualidade de vida e da cordialidade de seu povo, tornou-se motivo de crítica e de brincadeiras devido à prisão de sua autoridade maior. Não raro, ouve-se a afirmação irônica: “E o seu prefeito, hein”? E o pior desse trágico roteiro é que não há outra resposta a não ser um sorriso amarelo de quem não tem outra alternativa a não ser concordar com o interlocutor.
Mas há sempre o lado pedagógico da questão. A cidade, como os demais municípios nacionais, se prepara para ir às urnas e escolher, de novo, os seus representantes na Câmara e na Prefeitura. Que o faça, agora, com mais seriedade, uma vez que, na primeira vez em que Bejani foi eleito, houve uma postura quase que de brincadeira das elites que não levaram a sério a candidatura do jovem radialista. Ele foi tratado com descaso, como um outsider que não chegaria a lugar algum. Só que não havia segundo turno e ele levou.
Na segunda tentativa, o jogo foi outro, com interesses políticos de toda monta - inclusive de adversários de hoje -, que acabaram influindo nas eleições. É hora de a discussão política ser tratada em cima de programas e de virtudes, embora todo cidadão deva, sobretudo ao buscar a vida pública, ser originalmente sem envolvimento com atos que comprometam a sua reputação.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

Um comentário:
Oi paizinho!
Finalmente um politico foi preso neste país (rs)
Amor, vim te dar um cheiro e desejar uma boa noite...TE AMO=***
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