
Sérgio Porto nunca foi sambista. Era um brilhante jornalista que escrevia diariamente a sua coluna no jornal "Última Hora" de Samuel Wainer. Este, por sua vez, não passava de um maluco, querendo incendiar o Brasil com o seu ousado diário que trazia lindas mulheres nuas ilustrando a sua primeira página. Um dia Sérgio Porto tomou um litro de uísque inteirinho e resolveu fazer o samba intitulado "Samba do crioulo doido", que era o próprio, embora ele fosse branco da sofisticada zona sul do Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa das balas perdidas que matam turistas desavisados. Se ele fosse vivo, teria assunto para novo samba.
Brasil, o país do samba. Com este lema, muitos vendem as maravilhas do nosso país aos estrangeiros que acabam vindo fazer turismo por aqui. Nada de mal nisso, claro. Mas, com os acontecimentos atuais, as coisas podem se alterar. Estão fazendo, do Brasil, o país de um novo “samba do crioulo doido”. A música de Sérgio Porto acaba refletindo bem, em sua miscelânea, a verdadeira balbúrdia que se instala por aqui.
Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, se aprovado, fará com que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) possam pedir a prisão temporária de investigados. Seria o Legislativo cumprindo o papel do Judiciário, e a primeira parte do “novo” samba brasileiro. Por outro lado, a tentativa da base governista no Congresso de ressuscitar um imposto já falecido (CPMF), com outro nome (CSS - Contribuição Social para a Saúde), é ir contra a óbvia e notória necessidade do país de se realizar uma redução tributária. Com essas novas notas do samba, os brasileiros já ensaiam alguns passinhos.
Nessa composição, muitas outras notas se somam. A atitude do Governo de legislar por Medidas Provisórias (MP’s), o Judiciário legislando por jurisprudência (como no caso da fidelidade partidária), posto que aqueles que seriam os responsáveis por tais questões se omitem; e por aí vai. Os sambistas-governantes colocam os brasileiros para dançar nessa maluquice que fazem do Brasil. O samba do crioulo doido, ao contrário do ritmo samba que muito enobrece as terras brasileiras, só tende a ser nocivo para todos. O que se vê é um “sambar de gringos”, onde os brasileiros dançam uma música que não se encaixa em sua realidade, mas que os governantes teimam em tocar. As coisas não se ajustam.
Ao contrário de uma boa imagem de “país do samba”, o Brasil pode acabar com uma péssima imagem de “terra do samba do crioulo doido”, música que anda muito atual por aqui. E, seguindo o ritmo, tremei compositores: o Governo vem aí! Ou já está na hora de acabar com essa música e fazer o que o país realmente precisa? A resposta parece óbvia. Do jeito que a banda anda tocando, não dá. Ninguém por aqui está interessado nessa dança.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista.

Um comentário:
Tu como sempre perfeito em cada linha, as palavras ditas no contexto certo, adoro ler teus textos.
E aprendi mais estas não sabia quem era o autor.
beijinhos
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