quinta-feira, 5 de junho de 2008

Balcão de negócios


O Governo diz que não tem nada com isso, mas está investindo pesado para a aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), uma réplica mal disfarçada da CPMF. Várias emendas parlamentares começaram a ser liberadas, reabrindo o balcão de negócios que vira-e-mexe funciona no Congresso Nacional. Basta ter na pauta uma proposta importante para que as bancadas apresentem suas propostas. É a regra do jogo, é fato, mas incomoda, e muito, o cidadão comum, que não entende como políticos por ele eleitos façam negócios à revelia, olhando apenas para os seus interesses. Alguns até dizem que negociam em nome das bases que o elegeram, mas não há nenhuma consulta nesse sentido.


A Contribuição, que o Governo nega ser de sua autoria, peca pela sua essência, pois tem como justificativa investimentos na Saúde. Pode até ser, uma vez que o setor enfrenta dificuldade sistemática ante o aumento da demanda e redução dos recursos, mas os precedentes é que geram desconfiança das ruas. Quando criada, ainda no Governo Itamar Franco, a Contribuição Provisória tinha a mesma meta: financiar a saúde, mas tal abastecimento de recursos só ocorreu na sua fase inicial. Na verdade, o dinheiro arrecadado serviu para tudo, inclusive para o déficit primário. Menos para a rubrica que justificou sua criação.


Como, agora, acreditar que tudo será diferente se a atual administração, que foi contra a criação da CPMF, a encampou e fez uso até seu limite nos primeiros quatro anos de seu mandato? A contribuição só caiu por força do Congresso, num momento em que estava para ser renovada. Tanto no ciclo tucano, quanto na era petista, o discurso só mudou de lado, mas foi o mesmo. O que garante, agora, que não haverá encaminhamento semelhante? A despeito do mar de tranqüilidade que envolve a economia, o cenário internacional já não é o mesmo, havendo uma generalizada preocupação com a inflação.


E em tempos de inflação, um dos caminhos é retirar dinheiro de circulação para reduzir o consumo. O mote não é esse, mas há sempre o risco de o novo tributo servir até de argumento para a área econômica enfrentar possíveis tempos de turbulência.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou com medo, não tenho ainda uma opinião formada, está um pouco confuso para mim.
={
Beijinhos