
"A internet interpreta a censura como um defeito, e o contorna". A frase é do cientista pioneiro da internet John Gilmore e define bem o espírito libertário que domina essa nova tecnologia da informação, incompatível com a legislação repressiva com que a Justiça Eleitoral tenta controlar a informação em tempos de campanha eleitoral. O Brasil deveria estar celebrando o fato de termos uma das maiores, mais dinâmicas e mais ativas comunidades de internautas do mundo, em vez de urdir formas para controlá-la.
Há uma proposta ridícula de proibir a transmissão de mensagens eletrônicas, os populares "torpedos", pelos telefones celulares às vésperas das eleições, o que, além de tudo, incorreria em uma interferência no direito individual, especialmente daqueles que querem mandar mensagens que nada têm a ver com política eleitoral. A internet e demais tecnologias digitais não se constituem em meios de comunicação de massa no sentido tradicional, mas sim numa massa de meios de comunicação incontroláveis, porque individuais.
Mas, a questão mais difícil de definir, pela novidade, é o jornalismo na internet, ou o papel dos blogs nas campanhas eleitorais. Impedir um blogueiro de expressar seu apoio a um futuro ou eventual candidato é uma coisa tão aberrante quanto não permitir que ele fale para seus amigos, parentes e quem quer que esteja perto dele sobre esse apoio. Será que se ele comentar com seus vizinhos seu apoio a um candidato, um juiz vai decretar sua prisão?
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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