quarta-feira, 13 de maio de 2009

O livro e a internet


Ouvi, há bastante tempo, num telejornal, uma notícia que me deixou feliz, mas ao mesmo tempo descrente: a venda de livros infantojuvenis, no Brasil, subiu 50%. Só que este índice fabuloso, segundo a notícia, era creditado à internet. E foi este crédito que tornou discutível a informação. Está certo que a internet facilita a divulgação de quase tudo o que é publicado, tanto no suporte tradicional, o livro impresso, como em outras mídias, proporcionando maiores opções de escolha. Mas dizer que foi ela quem provocou um aumento tão significativo nas vendas pode caracterizar algum exagero.

A internet é um recurso tecnológico valioso na pesquisa de qualquer assunto e uma ferramenta insubstituível nos dias atuais. Mas é sabido, também, que os adolescentes que têm acesso não vão à rede procurar novos títulos para ler, com raras exceções.

Eles participam de bate-papos em salas de chat, visitam o Orkut, o Skype e outros programas de comunicação, participam de jogos on-line, capturam e trocam músicas, enfim, navegam ao sabor dos sites. O que é natural, diga-se de passagem. Mas isso ocupa um tempo que poderia ser usado para ler, por exemplo. É, portanto, temeroso creditar à internet o crescimento do índice de leitura em crianças e adolescentes

Interessante que, poucos dias depois de ouvir essa notícia, leio, numa dessas revistas semanais de informação, uma matéria de capa a respeito de pesquisa sobre leitura, que veio ao encontro daquilo que havíamos concluído: o brasileiro gosta de ler. Ele pode até não ter dinheiro para comprar livros, mas gosta de ler. De acordo com a pesquisa, 78% de 5.503 pessoas consultadas em quarenta cidades brasileiras gostam de ler livros - e há que se considerar que esta é uma esmagadora maioria daqueles que responderam ao que foi perguntado.
Mas se as vendas dos livros infantojuvenis cresceram 50% - e sabemos que este gênero é um dos que mais vende nos últimos tempos -, em se baixando o limite de idade para 7 anos ou menos, na referida pesquisa, o índice seria, certamente, muito maior.

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