
A falta de limites que tem marcado as relações humanas nos tempos modernos é um fator que precisa ser combatido, sob o risco de se chegar a um ponto sem volta. Até há algum tempo, era impossível imaginar um aluno agredindo uma professora, ou, sequer, retrucando-a quando advertido. Na noite de terça-feira, numa escola estadual da região Sudeste, um adolescente de 16 anos chutou a barriga da professora e quebrou-lhe os óculos com um soco. Tudo isso na frente dos colegas, pelo simples fato de ter sido impedido de falar ao celular. Ao olhar da mãe, a mestra estava errada.
A figura do mestre sempre foi uma referência como fonte de conhecimento. Hoje, no entanto, além de ensinar, tem que educar, resultando numa relação tensa, já que a família, de uma certa forma, se omitiu dessa função. Trata-se de um equívoco cujo custo pode ser observado no elevado número de licenças médicas por depressão. Uma pessoa que passa boa parte da vida se preparando para repassar conhecimento, torna-se responsável pela educação e vítima dos próprios alunos.
É fato que os próprios autores são vítimas de um cenário de desigualdades, mas, como educação vem de berço, é preciso investir na família, a fim de que esta cumpra o seu papel. O lar é a referência que fica, uma vez que uma má formação compromete uma vida. Adolescentes criados sem um norte desconhecem a figura do professor e agem - como foi o caso - sem qualquer tipo de culpa. Daí a insistência em ampliar os investimentos na formação, a fim de reter esse quadro que fica cada vez mais crítico.
A violência é fruto da base e da falta de perspectiva que marca os segmentos mais carentes. Não basta, pois, o país avançar economicamente se a formação de cidadãos ainda é precária. O perverso é que a conta, quase sempre, cai sob a mesma sociedade. A agressão a essa professora é apenas mais uma, pois tantas outras - algumas que sequer chegam à polícia - ocorrem nas escolas ou no seu entorno. E, quando isso acontece, já não se trata mais de um alerta, mas de uma constatação de que é preciso enfrentar de frente esse problema.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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