domingo, 3 de maio de 2009

Bebida e cigarro


Intitularia este blog com a famosa frase “é proibido proibir”. Ninguém esquece Caetano Veloso vociferando contra essa rotina no período da ditadura militar no Brasil. Pois o planeta repete contra os fumantes. Como tudo, pode ser boa a luta, mas peca pelo exagero. Proibir atos individuais tornou-se uma mania mundial, e especial no Brasil. Quanto às ações contra os fumantes, o erro está em querer proibir o cidadão de fumar. O correto é proibi-lo de fazer mal aos outros.

Mas a questão principal seria a diferença de tratamento entre o fumante e o beberrão. E ambos trazem problemas, mas os da bebida parecem ser mais amplos e com menores chances de defesa às vítimas. No entanto, a bebida recebe tratamento de muito glamour. Sempre vem o estímulo gigante e depois uma frase tímida, quase inaudível, a recomendar que encha a cara, mas não dirija. Como se o mal estivesse só em dirigir.

Quem fuma, prejudica com o cheiro da fumaça; quem bebe, com o da bebida. Quem fuma pode prejudicar o outro com o ardor nos olhos; quem bebe, com as cusparadas indesejadas. O fumante suja a cidade com suas pontas de cigarro, facilmente evitadas se usassem cinzeiros portáteis ou jogassem no lugar devido; quem bebe, fala alto, vomita em qualquer lugar. Uma reação orgânica sem controle. O fumante fica consciente, já o embriagado perde quase sempre a consciência.

Bebida causa um mal muito mais amplo, imediato, e com nenhuma chance de defesa. E não sofre crítica veemente nem ações contrárias por parte das autoridades. Ao contrário, sempre está em qualquer horário nas novelas, nos filmes, nos comerciais. Enquanto só cresce o cerco ao cigarro. E é preciso dar tratamento à bebida semelhante ao tratamento dado ao cigarro. Tal como as imagens fortes nos maços, as de carros aos farelos e de pessoas empastadas e decapitadas poderiam estar nos rótulos das garrafas.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

Um comentário:

Airton Leitão disse...

No meu tempo de soldado da Aeronáutica, eu trabalhava com um Major que tinha a seguinte opinião sobre o fumante: "Quando não é nojento, é perigoso; ou as duas coisas ao mesmo tempo".
Já o pinguço, para mim é quase sempre um perturbador da ordem.
Mas uma coisa é certa: um e outro são perigosos para si mesmos.