quinta-feira, 14 de maio de 2009

A força das ruas


Para melhor explicar o caso do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), afastado ontem do cargo de relator da comissão que analisa o processo contra o seu colega Edmar Moreira, é vital adiantar que ele caiu não pelo fato de estar se lixando para a opinião pública - o que já seria um bom argumento -, mas pela antecipação do voto ao dizer que não via culpabilidade no deputado mineiro, enfatizando, ainda, que havia demandas mais graves em discussão, e citou o caso das passagens aéreas.

Opinião e voto são garantias constitucionais, aliás, as duas únicas que garantem a imunidade parlamentar ante processos e outras ações penais, mas o que ele fez foi, antes da instrução do caso - quando são ouvidas as partes e produzidas as provas -, dizer o que iria fazer. Cometeu, no mínimo, uma improbidade processual que o fez suspeito no julgamento. O deputado Edmar Moreira deve ter amplo direito de defesa e não precisava do comentário do relator, que acabou sendo um indutor para o açodamento do debate.

Quanto a agir com descaso com o eleitor, o parlamentar, a despeito de sua postura, não é o único a fazê-lo. Uns, como foi o caso, explicitam num pronunciamento, de uma certa forma, corajoso. Outros, sob o manto do silêncio, usam meios mais sórdidos, ao desconhecer todos os acordos firmados com o eleitor no período de campanha.

A opinião pública não é um ente material que rege as ações da mídia e dos próprios políticos, mas a voz das ruas, que é necessária para estabelecer racionalidade nas discussões. Erram os que dizem que o povo é massa de manobra. Quem assim pensa desconhece fatos históricos. Foi o povo que retomou o ciclo das diretas, ante um colégio eleitoral teleguiado, e foi também ele que derrubou um presidente, que, tal como o senhor Sérgio Moraes, desconhecia o sentimento popular. O povo pode até ser enganado por um tempo, mas não por todo o tempo. Fernando Collor, que hoje admite ter errado, pensava assim. Caiu.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado




2 comentários:

Airton Leitão disse...

Para esse tipo de político falta ao brasileiro o comportamento dos argentinos em casos como esse. Ficamos priorizando a rivalidade no futebol e não imitamos nossos "hermanos" em algo tão importante.
Em casos como os do Senado e da Câmara, as mulheres já estariam batendo panela e os homens, levariam aqueles baita bombos que utilizam nos estádios. Já tiraram até Presidente da República no grito.

Ranieri, Mauricio disse...

Mas aqui, Tito, parece que, infelizmente, é o povo que não está se "lixando".