sábado, 9 de maio de 2009

Justo Veríssimo


O corregedor da Câmara, deputado ACM Neto (DEM-BA), vai defender o afastamento do relator do Conselho de Ética, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) que, além de praticamente antecipar seu voto, inocentando o deputado Edmar Moreira, disse que está se lixando para a opinião pública. Como já foi exposto neste espaço, ele errou duas vezes, pois apresentou sua posição antes mesmo da fase de instrução, e ofendeu os eleitores, principalmente os gaúchos que já renovaram seu mandato por várias legislaturas.

O parlamentar não é uma voz solitária no Congresso, embora tenha sido o único - e não vai repetir - a explicitá-la publicamente. Há outras que têm a mesma opinião, achando ser o eleitor apenas um rito de passagem para garantir sua permanência no Legislativo ou no Executivo. Por falta de clareza da lei e dificuldades de acesso da maioria da população ao trabalho dos políticos ou ao que andam falando - a favor ou contra o público -, eles continuam renovando seus mandatos.

Entre os pesquisadores e cientistas políticos, a leitura é de que o deputado Sérgio Moraes repetiu um velho bordão do personagem Justo Veríssimo, interpretado por Chico Anísio, no qual ele enfatizava: “Quero que o eleitor se exploda”. É a vida imitando a arte, mas dando pistas de que não se trata de algo novo. A postura do comediante é um indicativo de que não é de hoje que várias lideranças estão alheias ao pensamento das ruas. A relação só se acentua em períodos eleitorais, depois disso cada um gerencia o mandato de acordo com seus interesses.

Como o único meio de controle é o voto, espera-se que os eleitores de 2010 fiquem atentos aos clones do deputado Sérgio Moraes e mostrem a eles que a opinião pública é o principal termômetro das ações sociais. Ficar alheio a ela é descumprir as razões do mandato e, sobretudo, burlar um contrato firmado, em tese, na hora do voto.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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