
A criação de uma força-tarefa na Polícia Federal, para apurar a documentação recolhida no apartamento do banqueiro Daniel Dantas, deve ser a última intervenção do Governo num episódio de polícia e de Justiça. É que, de acordo com as especulações, foi do presidente Lula a ordem para atender ao pedido do delegado Protógenes Queiroz, que presidiu o inquérito, e que ao sair do caso se queixou do descaso de seus superiores que não atendiam aos seus pleitos. O presidente, que já havia metido o dedo no caso ao exigir explicações sobre a saída do policial, a fim de que não ficasse margem de dúvidas sobre os motivos, tem, agora, que sair de cena, pois não se trata de sua prerrogativa.
A força-tarefa tem como missão jogar luzes num episódio de cinema, que começou com duas prisões do banqueiro, seguidas de dois habeas corpus e um elenco de abstrações, que passaram por hipóteses de toda ordem. O envolvimento de pessoas próximas ao gabinete do presidente só serviu para aguçar a curiosidade. O que a opinião pública espera, no entanto, não é o sacrifício dessa ou daquela autoridade, mas a apuração serena dos fatos, a fim de repor a verdade. Há muito folclore em torno do tema, mas há muita gente sem dormir, algumas delas com destaque na República.
A prisão de Dantas foi resultado de anos de investigação e serviu, a despeito da liminar, para o recolhimento de provas. A partir daí, sim, vale o argumento do presidente do Supremo de que já não havia razões para sua permanência sob cárcere. Solto, ou não, o banqueiro tem muito a dizer, uma vez que não lida com negócios de pequena monta e sua agenda não tem nomes comuns. Pelas próprias ameaças - de que contaria tudo e envolveria muita gente - deu mostras de que se permitiu ao jogo que mistura negócios e poder, algo perigoso, sobretudo quando sai dos trilhos, como agora
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As investigações, se não ocorrer nenhum contratempo, poderão envolver atores de grande porte, o que para a democracia é importante, pois assegura ao andar de baixo que o princípio da isonomia, pelo menos nesse caso, está sendo cumprido à risca. E como ele diz que todos são iguais perante a lei, que assim seja.
As investigações, se não ocorrer nenhum contratempo, poderão envolver atores de grande porte, o que para a democracia é importante, pois assegura ao andar de baixo que o princípio da isonomia, pelo menos nesse caso, está sendo cumprido à risca. E como ele diz que todos são iguais perante a lei, que assim seja.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista (MT 2502 - 1975)

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