
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, tem razão em esboçar sua preocupação com a divulgação dos nomes de candidatos de ficha suja na internet, por se tratar, segundo ele, de um risco, uma vez que há sempre a possibilidade de injustiças, mas daí a considerar um problema sem solução é outra coisa, pois, enquanto não houver uma legislação moderna que impeça notórios infratores de se esconderem atrás do mandato, o melhor caminho é dizer ao eleitor quem, de fato, está em dia com suas obrigações legais.
A divulgação é apenas uma etapa das ações que estão sendo engendradas pelo país afora em busca de moralização do mandato público. Diante de tantas denúncias e mazelas, o eleitor não pode ficar alheio ao que está ocorrendo. Quando isso acontece, ele acaba sendo surpreendido, como no caso do mensalão, em que uma dezena de parlamentares fez do mandato um balcão de negócios. O julgamento só deve ocorrer daqui a dois anos em razão do considerável número de testemunhas arroladas.
Agora, quando o país se prepara para uma eleição municipal, na qual as paixões são mais aguçadas, o movimento volta às ruas, a fim de garantir que os candidatos que vão se submeter ao pleito popular não geram o risco de levar para a vida pública possíveis ações ilícitas do setor privado, e os que já estão na vida pública não façam uso de prerrogativas para garantir vantagens pessoais.
Não se trata de um denuncismo barato, como teme o ministro, mas uma iniciativa forjada em critérios, a fim de evitar que inocentes sejam acusados - isso é vital. É hora de a sociedade explicitar seu repúdio à inércia dos legisladores que se negam a mudar a lei e estabelecer normas mais rígidas para as eleições. Se medidas nesse sentido já tivessem sido tomadas, certamente o mensalão teria outro desfecho e nem haveria espaço para o desenvolvimento de ações ilícitas dentro da esfera pública como tem sido mostrado pelo país afora, sobretudo em razão das ações da Polícia Federal.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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