segunda-feira, 7 de abril de 2008

Remember Escola Base

É preciso tomar cuidado no acompanhamento do caso em que um casal está sendo acusado de responsabilidade pela morte de Isabella, uma garotinha de 5 anos. Há fortes indícios de envolvimento do pai e da madrasta, ora em prisão temporária até que sejam levantados novos detalhes sobre o crime. Não se pode cometer a irresponsabilidade de considerá-los culpados antes de apurados todos os fatos.
Em março de 1994, uma série de reportagens e um delegado, mais preocupado com os holofotes do que com os fatos, levaram à prisão do casal Maria Aparecida Shimada e Icushiro Shimada, donos da Escola Base, sob a acusação de maus-tratos e até estupros de crianças. Tempos mais tarde, provou-se que eram inocentes e que a denúncia partiu de uma mãe inconseqüente, que não se atinou para o gesto. O caso é diferente, mas ante a dúvida, a lei sempre orienta a dar o benefício da dúvida ao réu, exatamente para evitar danos como esse, em sua maioria irreversíveis. É vital apurar com zelo e verificar todas as circunstâncias, uma vez que o inconsciente coletivo tende a responsabilizar antes de todos os fatos serem apurados. Ao ser levado para a delegacia, o pai da menina foi chamado de assassino por uma delegada. Pode até ser, mas, por enquanto, é apenas um suspeito.
A ação das ruas é resultado da impunidade que atinge, sobretudo, o chamado andar de cima, gerando no povo uma indignação que costuma reverberar em casos como esse. A legislação brasileira é positiva nesse aspecto, dando a todos o amplo direito de defesa e só a partir exarar uma sentença definitiva. É importante não repetir a Escola Base. O que ocorreu há 14 anos deve servir de alerta a todos que se predispõem a condenar antes de um julgamento.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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