domingo, 6 de abril de 2008

Culpa coletivo


Culpa coletiva
A dengue não é um problema municipal, estadual ou federal, como chegou a ser discutido, com uma intensidade desnecessária, logo que surgiram os primeiros casos, sobretudo no Rio de Janeiro. Ela é uma demanda pública, na qual a população tem e deve ter forte componente de participação. Afinal, uma das principais causas de multiplicação da doença é resultado da leniência coletiva, que não cuida de seu lixo, mantém terrenos baldios e caixas d’água a céu aberto.
Não é de hoje que os primeiros meses do ano são marcados pela doença, mas nem por isso foi dada a atenção necessária, até que o Rio admitisse que estava diante de uma epidemia, com os casos se espalhando pelo país afora. Em pleno ciclo do mosquito, ainda há quem resista à visita das equipes da Saúde Pública e quem não se importe em manter reservatórios abandonados.
No combate à febre amarela houve a mesma resistência, fruto, naquela época, da ignorância. Hoje, com comunicação em tempo real, é vital que os multiplicadores de opinião atuem, a fim de mostrar que ninguém está imune à doença. A dengue não é uma simples dor no corpo associada à febre. Ela também mata e os números estão aí para provar.
Os fatos deste ano servem também de exemplo para as autoridades, que não podem tratar a dengue como uma doença sazonal. A despeito de a maioria das ocorrências se registrar no início do ano, trata-se de uma demanda de saúde pública, que carece de atenção em tempo integral e não apenas quando o mal está feito e a ação do Estado se dá apenas na fase mais aguda da doença.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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