
O presidente Lula diz que não é campanha, mas tem jogado todas as fichas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no colo da ministra Dilma Rousseff, numa clara indicação de que ela, pelo menos no atual momento, é o seu candidato in pectore para a sucessão de 2010. Depois de chamá-la de mãe do PAC, ampliou os laços familiares para tia e avó. Trata-se, sim, de um jogo político que, no entanto, nem sempre pode ser favorável à ministra, embora a tática seja divulgar seu nome para as camadas mais populares e para as regiões de menor acesso à informação.
O que o presidente não pode evitar são os contratempos de se chegar tão cedo ao terreno de luta. A ministra será - como já está ocorrendo - alvo dos adversários e do próprio fogo amigo, uma vez que dentro da estrutura de poder nem todos os grupos falam a mesma língua. Numa configuração tão ampla como o Governo federal, o jogo de influência tem vários atores, não havendo, pois, espaço para unanimidades. Esse tipo de situação não é inédito, fazendo parte das articulações políticas que ocupam o debate em todas as instâncias. Em razão disso, muitas lideranças optam por decidir na última hora, a fim de evitar os desgastes normais de uma exposição prolongada. Dilma, no entanto, tem que correr esse risco, pois em vários pontos do país é uma notória desconhecida.
O lado negativo dessas ações é o corte que se faz no pleito municipal. Hoje, fala-se mais da sucessão de 2010, com vários candidatos indo às ruas, do que da sucessão nos municípios, que, além de estratégica, é vital para o jogo de poder que começa na base. O eleitor não pode ser induzido a pensar a longo prazo quando há uma questão importante a ser decidida em outubro deste ano.Editou: M. J. Ranieri, jornalista
O que o presidente não pode evitar são os contratempos de se chegar tão cedo ao terreno de luta. A ministra será - como já está ocorrendo - alvo dos adversários e do próprio fogo amigo, uma vez que dentro da estrutura de poder nem todos os grupos falam a mesma língua. Numa configuração tão ampla como o Governo federal, o jogo de influência tem vários atores, não havendo, pois, espaço para unanimidades. Esse tipo de situação não é inédito, fazendo parte das articulações políticas que ocupam o debate em todas as instâncias. Em razão disso, muitas lideranças optam por decidir na última hora, a fim de evitar os desgastes normais de uma exposição prolongada. Dilma, no entanto, tem que correr esse risco, pois em vários pontos do país é uma notória desconhecida.
O lado negativo dessas ações é o corte que se faz no pleito municipal. Hoje, fala-se mais da sucessão de 2010, com vários candidatos indo às ruas, do que da sucessão nos municípios, que, além de estratégica, é vital para o jogo de poder que começa na base. O eleitor não pode ser induzido a pensar a longo prazo quando há uma questão importante a ser decidida em outubro deste ano.Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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