domingo, 13 de abril de 2008

DENGUE PEDAGÓGICA



A epidemia de dengue que grassa pelo país afora, especialmente nas grandes metrópoles, como o Rio de Janeiro, além de ser uma tragédia, pois centenas de pessoas já morreram, é, paradoxalmente, pedagógica, pois revelou as falhas da máquina pública, que se mostrou ineficiente desde o estágio da prevenção ao atendimento nos postos de saúde. No Rio, só para ficar no exemplo, foi preciso a ação das Forças Armadas para reduzir os impactos da doença.
Não é de hoje que os casos de dengue vêm aumentando, mas a despeito disso, o Estado continuou a reboque dos fatos, só agindo quando a situação começou a sair de controle. Até então, ela era tratada como uma doença sazonal, de pouca incidência. Puro equívoco. Ela já não se esgota mais no verão e tem um viés hemorrágico que mata.
Os estudiosos vêm advertindo que as ocorrências deste ano são apenas um ensaio para o que virá em 2009 caso não sejam tomadas medidas preventivas drásticas. Não faz sentido um país do porte do Brasil ainda ter doenças já erradicadas em outras regiões. A dengue é fruto do modo leniente no trato com as demandas públicas. Não se trata de uma demanda da União, do estado ou do município. A responsabilidade é de todos, inclusive da população que não leva a sério as campanhas de prevenção, na qual ela é parte ativa.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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