quinta-feira, 24 de abril de 2008

PODE SER PIOR


O epidemiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, alerta: se população e autoridades não levarem realmente a sério o combate ao Aedes aegypti, uma nova epidemia de dengue poderá ocorrer no verão de 2009. E o que é pior: a doença poderá ser tão ou mais letal no próximo ano. O superintendente em Vigilância em Saúde do estado, Victor Berbara, concorda com o especialista. Berbara observa que no Sudeste Asiático, onde circulam os quatro vírus, os casos graves são cada vez mais freqüentes por causa das sucessivas epidemias.
Desde o início do ano já foram registradas 92 mortes e 110.783 casos, no estado do Rio. Na epidemia de 2002, durante todo o ano, 91 pessoas morreram e 288.245 casos foram registrados. Berbara diz que a epidemia de 2002 também era grave, tanto que o número de mortos foi elevado. Mas que a situação atualmente é ainda mais preocupante. "Temos atualmente os tipos 2 e 3 do vírus circulando. Até dezembro de 2007, o vírus predominante era o do tipo 3. No início do ano, o vírus 2, que é mais agressivo, passou a dominar, por isso, tantos casos graves. Ainda há muita gente suscetível. Por isso, não podemos relaxar no combate ao mosquito. Se não quisermos enfrentar uma nova epidemia em 2009, temos de trabalhar muito", alertou Berbara.
Apesar dos estudos em andamento para a criação de uma vacina contra a dengue, o epidemiologista acredita que somente dentro de oito a dez anos ela estará disponível no mercado para o uso da população. E mesmo assim, ressalta Medronho, ela não será suficiente para evitar infestações e até mesmo óbitos, pois sempre tem alguém que não toma a vacina.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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