O silêncio das lideranças políticas e dos demais partidos ante o escândalo do Distrito Federal, no qual um dos principais suspeitos é o governador José Roberto Arruda, eleito pelo DEM, é emblemático. Soa como um pacto, como se todos estivessem no mesmo barco, sob um impedimento “ético” para criticar. Paradoxalmente, quem mais reclama são políticos do próprio Democratas, como os senadores Demóstenes Torres e Agripino Maia, além do deputado Ronaldo Caiado, que querem rito sumário no processo de expulsão do governador. Nos demais partidos, os questionamentos são pontuais.
Há um ditado atribuído ao barão de Itararé que é adequado ao silêncio das lideranças: “Ou restauremos a moralidade, ou nos locupletemos todos”. Há um preocupante sintoma de que a segunda opção foi a escolhida, sobretudo pelo fato de o escândalo ser filme velho. Só mudaram os atores. O Congresso é um túmulo, e esse silêncio foi bem definido pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Ao participar de um debate sobre corrupção, segunda-feira, na sede do jornal “O Globo”, no Rio de Janeiro, ele foi profético: “Não esperem nada do Congresso”.
Para o parlamentar, somente a sociedade organizada tem força para lutar contra a corrupção. Tem razão, e o principal ringue é a urna. Em 2010, o povo será chamado para eleger deputados, senadores, governadores e o presidente da República numa eleição marcada pelo ineditismo. Será, por exemplo, a primeira, após o retorno do voto direto, sem o candidato Luiz Inácio Lula da Silva no palanque. Com ou sem ele, é necessário que o eleitor esteja suficientemente informado sobre a importância do voto.
Se não for assim, não há saída. O próprio governador Arruda, ora envolvido no escândalo de Brasília, foi flagrado, em 2001, mexendo no placar eletrônico do Senado para ver o voto “secreto” de seus colegas. Ele e o senador Antônio Carlos Magalhães renunciaram. Mas ficaram fora do mandato por menos de um ano. ACM foi reeleito e Arruda virou deputado federal. Quatro anos depois, ganharia o Governo do Distrito Federal. Foram salvos pela memória curta do eleitor.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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