
O falecido senador Magalhães Pinto costumava dizer que política é igual nuvem: ora está aqui, ora está em outro lugar. Por isso, a decisão do governador Aécio Neves de abandonar um projeto nacional de presidente da República, optando pelas montanhas de Minas, e buscar o Senado não pode, no entendimento dos próprios observadores, ser considerada uma peça definitiva. É claro que ele não tinha outro caminho em função do silêncio de seu concorrente e correligionário, José Serra, a quem, agora, passou a bola. Nesse jogo de indefinições, vale até mesmo um discurso insistente do deputado Ciro Gomes. Para ele, Serra vai optar por São Paulo. É esperar para ver. Como os mineiros fazem política como gente grande, ainda há pontos a serem esclarecidos, inclusive as razões de a desistência ocorrer antes do prazo previsto. Qualquer avaliação, agora, é fruto mais do achismo do que das evidências, mas é melhor considerar que o jogo não está de todo jogado, podendo haver espaço para novos lances, ainda mais quando um desses jogadores tem o DNA de Tancredo Neves. Até março, os candidatos ainda podem se movimentar por diversas frentes, por ser um prazo adequado para quem já tem uma certa visibilidade - como Serra -, mas não poderia ser o ponto final do governador de Minas, que teria uma longa estrada para percorrer. Esse cenário poderia ter sido adiado se o próprio Governo não tivesse antecipado o debate sucessório. Quando anunciou que a ministra Dilma Rousseff era o nome de sua preferência, e passou a tê-la como companhia pelo Brasil inteiro e no exterior, o presidente Lula acelerou a agenda sucessória. O gesto do governador mineiro será visto como mais um lance nesse xadrez, mas de forma alguma como uma peça acabada. Não há fórmulas definitivas na política. Tudo pode mudar, como lembrava Magalhães, dependendo dos ventos que assoprarem de um lado e de outro.

Um comentário:
Acho que Aécio está utilizando alguma estratégia para sair da disputa com Serra, baseado nas mais variadas pesquisas que não o colocam na disputa presidencial. Todavia, acho que ele terminará aceitando os apelos para que seja candidato a vice com Serra, porque as mesmas pesquisas apontam para uma vitória da dupla ainda no primeiro turno.
Aí, vai depender do tipo de acordo que eles façam para o futuro do jovem governador mineiro.
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