
Não deixa de ser curioso avaliar qual será o discurso dos partidos políticos nas eleições de 2010. Se antes dos episódios do Distrito Federal ainda havia margem para criticar o Governo pelo seu silêncio no mensalão de 2005, agora estão todos no mesmo barco, inclusive pela condição de réu decidida pelo Supremo Tribunal Federal em relação ao senador tucano Eduardo Azeredo. No mesmo dia, aliás, sobraram denúncias de repasses para o presidente da Câmara, Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Como os próprios políticos sabem que não basta ser honesto, é também preciso mostrar diariamente tal condição, não sobra nenhuma legenda das chamadas de grande porte que possa jogar pedra no concorrente. Há, sim, um abismo ético que deixa o eleitor perplexo. A compra de votos tornou-se rotina, sobretudo pela falta de uma sentença definitiva que tivesse o viés pedagógico. Ao contrário, o processo de 2005 ainda está na fase de oitiva de testemunhas, e não há prazo para chegar ao plenário do STF. A morosidade judicial, forçada, no caso, pelo excessivo número de acusados e de provas produzidas, acaba funcionando a favor de novas mazelas. No dia em que o primeiro culpado for para a cadeia, é bem provável que a luz amarela se acenda nos comitês responsáveis por tais articulações. A dúvida, no entanto, é saber quando isso vai ocorrer. A despeito de o processo correr já na última instância, há sempre brechas na lei para empurrar a sentença definitiva por mais algum tempo. É certo, pois, que há uma clara necessidade de reforma nas instituições. O Judiciário precisa ter celeridade e mecanismos que sirvam de atalho em seus julgamentos, enquanto Executivo e Legislativo devem dar fim à ação entre amigos que tem gerado tantos danos aos cofres públicos.

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