sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mexer nos bolsos


Corrupção tem em qualquer país, a diferença é como ela é tratada. Em entrevista ao matutino “O Globo”, o consultor do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, Stuart Gilman, observa que a questão é como os países controlam esse problema. Quanto mais rápida a solução, mais eficiente é o sistema como inibidor de novas ações. Não há uma fórmula definitiva para resolver esse crime, mas ele aponta pontos importantes que funcionam como antídotos. Um deles é a cooperação internacional para facilitar o retorno do dinheiro depositado em paraísos fiscais. Muitos envolvidos passam anos respondendo a processos, mas o dinheiro que extraviaram nunca é recuperado. Gilman citou o caso de um lobista americano, preso em 2006, condenado por suborno. Deram-lhe duas opções, passar a vida inteira na cadeia e perder todo o dinheiro que tinha, ou passar 15 anos preso e pagar multa de US$ 1 milhão. Optou pela segunda. Temos casos semelhantes no Brasil, em que notórios corruptos fazem jogo de cena enquanto o dinheiro continua no exterior. Um deles, que já foi até governador de estado, jura de mãos postas que não tem um só tostão no estrangeiro, embora o próprio Banco Central já tenha registrado a presença desse dinheiro em contas clandestinas. E o que aconteceu com ele? Nada. Depois de uma semana de prisão, na qual teve a companhia do filho, foi liberado, recuperou seu mandato parlamentar e até faz parte da base do Governo. Um exemplo e tanto num momento em que a corrupção tornou-se um tema recorrente no noticiário mundial. E não se trata, sequer, de um caso isolado. A Polícia Federal tem uma grande lista de pessoas que aplicam seus investimentos no exterior praticando evasão fiscal, e poucos confessaram o delito. O publicitário Duda Mendonça, quando flagrado em tal situação, culpou o contador. Além das propostas para recambiar o dinheiro, é preciso que a legislação estabeleça processos sumários para sentenças de mérito e prisão para os infratores, pois só mexendo em seus bolsos e os tirando de cena será possível dar uma resposta adequada à sociedade. Caso contrário, o tema continuará sendo discutido em datas históricas, mas não produzirá os efeitos esperados.

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