
A pressão que se faz contra o presidente do Congresso, ora por seu afastamento do cargo, ora por sua renúncia ao mandato, é fruto de uma série de desmandos que marcam a vida política do país. O senador José Sarney é um dos últimos coronéis, exercendo controle absoluto sobre seus redutos, usando artifícios para manter o poder. Foi assim, por exemplo, na sua transferência de filiação eleitoral para o Amapá, estado com o qual não tem a menor identidade. Foi eleito e o representa no Senado Federal. Abriu espaço para sua filha, Roseana, obter o mesmo posto pelo Maranhão.
Seu estilo de fazer política é de jogar duro para o público interno e passar uma imagem serena para a arquibancada. Foi assim na sua migração da presidência da Arena - partido que dava sustentação ao Governo militar - para o PMDB sem causar grandes traumas na legenda de oposição. Por esta, ganhou o posto de vice na chapa de Tancredo Neves. Já como presidente, com concessões de toda ordem, ganhou mais um ano de mandato, saltando de quatro para cinco anos. Saiu com suas bases consolidadas. É necessário ressaltar, no entanto, que apesar de todos os protestos, não fez nenhuma ingerência na Constituinte. Saiu do mandato sob uma inflação de 80% ao mês.
É um coronel ao velho estilo, sendo copiado por coronéis dos novos tempos, que agem como se não tivessem que prestar contas a ninguém. Muitos se lixam para a opinião pública, outros dizem que o povo não sabe o que fala. Sarney usa o silêncio como tática por saber que o cerco está aumentando. As provas que estão sendo explicitadas são cada vez mais contundentes, levando o próprio Partido dos Trabalhadores a reformar sua posição. Em nota, o líder, senador Aloizio Mercadante, já admite antecipar a reunião do Conselho de Ética.
A dúvida é considerar a eficiência do gesto. O senador Renan Calheiros, um comandante da nova safra, congestionou o Conselho com nomes de sua confiança - a começar pelo presidente -, que estão prontos para seguir as ordens do líder, independentemente das provas colhidas nos autos.

Um comentário:
Mauricio, é hora de fazer uma forte campanha para limpar aquela lixeira em que se transformou Brasília. Nada de passeata, narizinho de palhaço... É tentar convencer as pessoas de que nenhum político pode mais ser reeleito. Sei que não é fácil, mas não custa tentar. E pior não vai ficar.
Um abração, Ju
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