sexta-feira, 31 de julho de 2009

Casa de enforcados


Ao ser conivente com os escândalos, como os que ora ocorrem no Senado, a classe política dá um tiro no pé, pois o que se vê nas ruas é uma reação indiscriminada da opinião pública. Afogado por tantas notícias negativas, e justificadas, o cidadão passa a desconsiderar a máxima de que é preciso separar o joio do trigo e põe todos no mesmo balaio. Por isso, qualquer pesquisa a ser feita chegará a um denominador comum: todos os políticos são corruptos. E não são, mas o corporativismo, que impede qualquer tipo de investigação, acaba influindo nos resultados.

Como esperar, por exemplo, que o Conselho de Ética do Senado tome algum tipo de providência contra o presidente da Casa, José Sarney, se 70% de seus membros, como apontou ontem o jornal “Estado de São Paulo”, são suspeitos de irregularidades? Como bem disse recentemente o ex-presidente Fernando Henrique, é falar em corda na casa de enforcado. Não haverá quem atire a primeira pedra.

Só que esse tipo de atitude provoca um outro e perigoso sintoma. Muitos segmentos ainda investem no atraso e em medidas antidemocráticas como antídotos contra a corrupção. Apostam no pior para incentivar o retrocesso e ganham respaldo das ruas que acabam não achando outro caminho para extirpar os ilícitos da vida pública.

A reunião da próxima terça-feira será emblemática para o Conselho de Ética. Se, de fato, forem confirmadas as expectativas de que não será tomada nenhuma atitude drástica, haverá riscos para a própria classe política, que já começa a viver um clima pré-eleitoral. Mas quem perde é a própria comunidade e as lideranças sérias, que acabam sendo confundidas com o lado negativo da política.



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