sexta-feira, 24 de julho de 2009

E a Justiça?


O presidente Lula, na solenidade de posse do novo procurador-geral da República, disse que é preciso cautela com a biografia dos investigados, em mais uma defesa - mesmo que indireta - do senador José Sarney, a quem já considerou um cidadão diferenciado. O pronunciamento do chefe do Governo é um paradoxo ante o símbolo da Justiça, que é uma mulher com os olhos vedados, exatamente para mostrar que a isonomia legal prevê que todos são iguais perante a lei, não devendo privilegiar esse ou aquele em função de sua posição política, social ou econômica.

É fato que na prática não é bem assim, mas é necessário manter os princípios que regem a Justiça, não cabendo nem mesmo ao chefe do Governo estabelecer critérios distintos do que já está capitulado na Constituição. O presidente do Senado, José Sarney, a despeito de sua posição política, deve ser visto como qualquer cidadão que esteja sendo investigado. E, por enquanto, as provas não o favorecem.

Mas pior fez o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, ao sair em defesa de seu líder político: “Ele não sairá da presidência do Senado. É incrível a capacidade de a imprensa potencializar as coisas. Parece até que está se falando de caso de corrupção de bilhões. Do que se trata tudo isso? De uma nomeação para um cargo de R$ 2 mil. Mas isso é da cultura do país”. O que ele não disse é que se trata de dinheiro público, e seu uso, seja de qual monta for, deve ser executado sob o signo da probidade.

Quanto à cultura, é difícil entender à qual ele se refere, pois o que se viu, até agora, foi uma reserva de mercado no Senado, onde os funcionários são da cota desse ou daquele político, como foi o caso do jovem que, por ser namorado da nora de Sarney, foi contratado na vaga do neto do senador. E a Justiça continua com os olhos vedados...

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

Nenhum comentário: