sábado, 18 de abril de 2009

Mudança de hábito


O uso de passagens aéreas por terceiros, ou até mesmo por ministros licenciados da Câmara - o que é proibido -, tem sido sanado pelos próprios parlamentares com a simples reposição dos gastos. Foi assim no caso do deputado Fábio Faria, que ajudou meio mundo artístico com o dinheiro público, ao ressarcir o erário com os R$ 21 mil que tinha utilizado, como também está prestes a acontecer com os ministros José Múcio, Reinhold Stephanes e Geddel Vieira Lima, que devem, apenas, repor as perdas da Casa.

Trata-se de uma decisão risível sob o ponto de vista ético, pois não basta pagar o que não era, sequer, para ter sido consumido, considerando que tudo está resolvido. Devem ser ampliadas as providências - como as anunciadas ontem, de redução das cotas de passagens - para que o ilícito não ocorra. O senador Tião Viana, ao ceder um telefone aberto, e com contas pagas pela Casa, para sua filha fazer uma viagem ao México, disse que já tinha resolvido a questão ao devolver os R$ 14 mil que foram tarifados. Mas isso só não basta.

Se o simples pagamento resolver a questão, e sendo feito somente depois de denúncia da imprensa, não haverá nenhuma mudança de hábito. É preciso estabelecer regras claras e duras de controle, a fim de assegurar aos deputados e senadores as ferramentas para o exercício do mandato, mas sem implicar no repasse para terceiros.

Diz-se no Congresso que é tudo uma questão de momento. Em toda mudança de Mesa Diretora, surgem denúncias. Depois, tudo se acalma. Trata-se de um comentário que deve ser levado a sério, pois está mais do que claro que existem outros cadáveres dentro dos armários de Brasília. Há abusos de toda sorte que ainda não foram revelados, a despeito dos escândalos que marcam o Legislativo desde o mês de janeiro.

Como estratégia, já se fala em acelerar a discussão da reforma política para tirar o foco dos escândalos. Seria como dar pão e circo para o povo, a fim de garantir a diversão. Trata-se de um equívoco. A reforma deve entrar na agenda não para mudar o rumo da conversa, e sim como um fator de mudanças numa estrutura vencida pelo tempo. Mas enganam-se os que pensam em colocar o lixo debaixo do tapete e em tocar a bola para frente. Em 2010, haverá eleições gerais, e muitos correrão o risco de perder o mandato por conta do silêncio.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

Um comentário:

Airton Leitão disse...

É, amigo...
Ainda bem que não estou sozinho nessa grita com essa série de abusos que só vieram à tona após a denúncia das falsas horas extras pagas aos funcionários do Senado durante o recesso.
Vamos por aqui bancar o beija-flor com sua gota de água no bico tentando apagar o incêndio na floresta, mas fazendo a nossa parte.