
Uma pesquisa do Ministério da Saúde revela que, após a Lei Seca, o hábito de beber e dirigir caiu, mas voltou a subir nos últimos meses. Má notícia, uma vez que, pelas ponderações, a curva desceu somente nos primeiros quatro meses de implantação da norma, que data de junho do ano passado. Depois disso, tudo voltou como antes, a despeito da repressão, sobretudo nas rodovias. Mas a própria Polícia Rodoviária lamenta que suas ações não estão sendo acompanhadas na área urbana, onde somente em cima de fatos reais, como acidentes, é que o bafômetro é utilizado. As blitze que se seguiram à sanção da Lei saíram das ruas.
A repressão é importante, pois mostra a mão do Estado para o cumprimento de uma legislação, mas não basta apenas a multa, ou até mesmo a cadeia, se não houver insistência em campanhas de educação no trânsito. A mesma pesquisa aponta que os homens resistem mais a esse tipo de motivação com base, sobretudo, numa cultura arraigada de que não há risco em combinar volante e bebida, principalmente em áreas urbanas. E não é um raciocínio de segmentos menos esclarecidos. Trata-se de uma postura comum a todas as classes, o que induz, de pronto, a agilizar o retorno das campanhas.
O Brasil é pródigo em leis que não pegam em função não apenas da opinião pública, mas da falta de ferramentas para a sua execução. Há ainda a ineficiência na cobrança de multas, que se desdobra em descumprimento da Lei, já que poucos pagam. Quando o Governo cumpre o seu papel, fiscalizando e cobrando de quem erra, a história é outra.
O ministro José Gomes Temporão se disse estarrecido com os números, e tem razão, pois os acidentes não se esgotam em si mesmos. Além dos danos à pessoa - alguns deles irreversíveis -, refletem também no Estado, já que onera a Previdência Social. É o mal menor se comparado com tantos outros que decorrem da violência no trânsito. Os jovens têm sido as principais vítimas, principalmente nos fins de semana. Não dá, pois, para esperar o agravamento dos números, quando há, como também disse o ministro, uma guerra em curso.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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