quarta-feira, 18 de março de 2009

A primeira pedra


Em artigo publicado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano, neste sábado, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Monsenhor Rino Fisichella afirma que os médicos que praticaram o aborto na menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto, não mereciam a excomunhão. "São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos", escreve Monsenhor Rino Fisichella, um dos mais próximos colaboradores do papa Bento XVI e maior autoridade do Vaticano em bioética.

Na avaliação do prelado, o arcebispo de Recife e Olinda, José Cardoso Sobrinho, foi apressado e deveria ter se preocupado primeiro com a menina. "O caso ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida se não fosse pelo alvoroço e pelas reações provocadas pelo gesto do bispo."

O anúncio da excomunhão por parte de D. Jose Cardoso Sobrinho colocou em risco a credibilidade da Igreja Católica. Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que os homens de igreja deveriam ser mestres.

Devido à idade e às precárias condições de saúde, a menina corria serio risco de vida por causa da gravidez. O médicos merecem respeito profissional e nunca excomunhão o que, aliás, só os atingeria se católicos fossem. É uma decisão difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso. Na moral católica a defesa da vida humana desde sua concepção è um principio imprescindível.

Não era, portanto, necessária tanta urgência em excomungar, mas sim praticar um gesto de misericórdia que condiz mais com os princípios cristãos. Como fez Jesus no caso da adúltera em quem ninguém atirou a primeira pedra.

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