
Acrise que afeta o país, com contornos cada dia mais graves, pode ser um bom argumento para se focar na economia, mas a campanha eleitoral de 2010 já começou, sendo, pois, um caminho sem volta. A cada dia, em vez de arrefecimento das ações, os acontecimentos em torno desse ou daquele candidato, ou de qualquer legenda, são pautados na sucessão do presidente Lula ou na dos governadores. É importante, agora, acompanhar como esse debate será conduzido sem comprometer as ações de Estado, que são fundamentais.
Quando o presidente Lula antecipou sua simpatia pela ministra Dilma Rousseff, mesmo tomando o cuidado de não dizer que era sua candidata in pectore, ele abriu a porteira, dando margem a outros lançamentos que se seguiram. Em razão disso, os governadores Aécio Neves, de Minas, e José Serra, de São Paulo, mesmo com um discurso fidagal, entraram em campo na busca do apoio tucano. A realização de prévias foi o mote, mas outros gestos estão sendo diários na campanha para marcar posição.
O próprio Partido dos Trabalhadores já se movimenta, embora tenha, primeiro, que resolver uma polêmica questão interna: quem será o candidato? O presidente Lula já resolveu esse problema na esfera nacional ao dizer que é Dilma, e pronto.
Em razão de todo esse cenário eleitoral, não há como fugir à discussão sucessória, quebrando-se o mito de que há anos neutros. 2009 não terá eleição, mas é apenas uma questão formal, já que o palanque, se é que foi desmontado, já está pronto para novos discursos.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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