quinta-feira, 19 de março de 2009

Jogo de poder



O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tem se queixado da onda de denúncias que envolve a Casa que dirige, argumentando que há algo estranho no ar. Só que, ele próprio, decidiu pedir a todos os diretores que colocassem seus cargos à disposição, a fim de facilitar qualquer tipo de investigação. Faz sentido, uma vez que a principal instituição revisora do país passa por um ciclo de escândalos. No próprio afastamento, constatou-se que existem 136 diretores para um Legislativo que conta com 81 senadores. Como bem pontuou o jornal “O Globo” ontem, a Petrobras, a maior empresa brasileira, tem seis diretores. A Vale do Rio Doce, outra gigante, tem sete executivos.

Qual a explicação para tantos diretores cujos salários passam dos R$ 15 mil mensais? A investigação pode ser o primeiro caminho, mas é praticamente certo que as indicações políticas são a fonte de tanto cacique para tão pouco índio, embora, pela lógica, os chefes sejam os parlamentares. Na semana passada, constatou-se, também, que, para fugir às regras de combate ao nepotismo, era adotado o sistema terceirizado, como se mais dia, menos dia, tal artifício não fosse descoberto.

Apesar das queixas do senador José Sarney, não há um ciclo de denuncismo para comprometer a imagem da instituição. São, sim, fatos que afloram e que precisam chegar ao conhecimento público. O senador Tião Viana (PT-AC) entregou seu celular aberto - sem limites de ligações - à sua filha para uma viagem ao México, e só ontem, depois das denúncias, é que anunciou que pagaria a conta. Mas não sabia, sequer, o valor, embora a viagem tenha ocorrido no mês passado.

Os membros da Mesa Diretora atribuem as denúncias aos derrotados do mês passado, enquanto esses, como Tião Viana, apontam o vazamento como tentativa de comprometer sua imagem. Pode até ser, pois os bastidores são pródigos nesse tipo de atitude, mas o ponto positivo é a necessidade de organizar a Casa. Lideranças que são eleitas pelo povo para fazer leis e revisar as que são aprovadas pela Câmara têm, necessariamente, que dar o primeiro passo em defesa da ética.

2 comentários:

Airton Leitão disse...

Realmente, o Senado é a "bola da vez". Todo os dias tem novidades. Hoje mesmo sabe´se que não são "só" 136 diretores, mas sim 181. Tem diretor até de Ondas Curtas (talvez tenha também de Frequencia Modulada, de Radioamador, de PX e outras faixas).
Chegamos a tal ponto, que incrivelmente é Sarney quem diz que vai moralizar o Senado.
É final do tempos!!!

Ranieri, Mauricio disse...

Dá nojo, amigo. Temos a arma na mão para mudar este cenário.Mas, no final, o que manda mesmo - na hora dos votos - infelizmemnte ainda é o coronelismo e o vil metal.