
Depois da Ficha Limpa, que tem todo um viés saneador da vida pública, o Tribunal de Contas da União divulgou uma lista com mais de cinco mil gestores impedidos de disputar as próximas eleições, uma vez que não tiveram suas contas aprovadas. Bom para o país, pois dará ao eleitor a oportunidade de fazer escolhas com base em projetos e sem a preocupação de avaliar a folha corrida dos candidatos. A Justiça Eleitoral ainda deve fazer novas interpretações, pois as consultas, agora, serão uma rotina, sobretudo por parte de personalidades atingidas, como os ex-governadores Paulo Maluf e Anthony Garotinho, só para ficar nestes dois casos.
Não é de hoje que se discute a prerrogativa sobre a triagem que deve ser feita. Originariamente, ela deve caber aos partidos, pois são os responsáveis pela homologação ou não de candidaturas. Mas isso, na maioria das vezes, não é feito, pois prevalece uma perversa lógica de resultados, isto é, importa não o currículo, mas o potencial de votos do pretendente. Se for bom de urna, as demais “qualidades” tornam-se insignificantes.
Quando ocorrem os escândalos, como os diversos mensalões que ocuparam o noticiário nos últimos dez anos, não há legenda que assuma a responsabilidade, deixando para a Justiça definir o destino dos envolvidos, só agindo em segunda instância, mesmo assim dependendo da repercussão. São muitos os casos de políticos afastados dos partidos só depois de uma condenação das ruas ou da primeira instância judicial.
A Ficha Limpa e a mão forte do Tribunal de Contas devem retomar a competência primária das avaliações para os diretórios. Os partidos, já sabendo dos riscos e dos danos, certamente, terão um novo olhar para os postulantes. Ganham todos, sobretudo a democracia, que deve ser implementada por lideranças que agem dentro dos princípios da lei.






