quarta-feira, 9 de junho de 2010

Não aprenderam a lição




Ao curso dos últimos dias, sobretudo na instância da disputa federal, o noticiário relatou a existência de um possível dossiê contra o candidato José Serra. Ainda bem que tal operação - se é que de fato existiu - foi abortada, pois seria a repetição de episódios de tempos anteriores que em nada ajudaram no processo democrático. Ao contrário, esse tipo de denúncia enfraquece as instituições e expõe o lado menor da política, pois geralmente são denúncias sem fundamento ou sem paternidade.

Quando era presidente da República, Itamar Franco recebeu em audiência o então senador Antônio Carlos Magalhães, famoso por esse tipo de “documento”, que insinuou ter sérias denúncias a fazer. Aceitou recebê-lo, mas o fez de modo inusitado. Quando o dirigente baiano entrou no gabinete, deparou-se com os jornalistas, convidados por Itamar para acompanharem a reunião. Eram meros recortes de papel com matérias que expunham possíveis mazelas do adversário. ACM saiu irritado do Palácio, virou inimigo, mas não voltou mais a falar no assunto.

O que as lideranças devem fazer é repetir o gesto do ex-presidente, que desmascarou a possível denúncia expondo a sua ineficácia. Os dossiês, quase sempre, são um tiro no pé, sobretudo em períodos de campanha eleitoral. Não é preciso, sequer, recorrer ao caso dos aloprados, que deveria servir de exemplo para não ocorrer algo semelhante. A eliminação dos possíveis autores foi um gesto maior da política.

O que se espera dos candidatos e dos coadjuvantes do processo eleitoral é uma discussão profunda das demandas do país. O Brasil está se transformando em protagonista na instância global e deve manter esse papel, ao mesmo tempo em que não pode perder o norte de seus projetos internos. O eleitor, certamente, quer conhecer as metas dos políticos, pois é com base nelas que vai definir o seu voto, e não com denúncias que deveriam se esgotar, no máximo, na esfera policial.

Um comentário:

Airton Leitão disse...

Ranieri,
Também fiz uma postagem sobre essa guerra suja de dossiês. Acho que já é tempo dos eleitores exigirem dos candidatos que eles apresentem suas propostas e que não fiquem apontando possíveis sujeiras dos adversários.
Que árem de olhar para os "rabos das cotias".