terça-feira, 10 de maio de 2011

Vigilância é vital


A decisão da presidente Dilma de priorizar o combate à miséria, a fim de livrar 16 milhões da linha abaixo da pobreza, é louvável não só pelo fato de cumprir uma meta de campanha, mas pelas razões humanitárias que deveriam ser comuns a qualquer Governo. O Brasil, a despeito dos avanços experimentados nas últimas duas décadas, ainda tem um déficit acentuado com os segmentos mais carentes, o que cria um contrassenso: tenta ser uma nação de primeiro mundo enquanto sustenta dados de terceiro. É fato que houve melhoras. De acordo com os índices divulgados na última terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas, o percentual de pobres caiu em mais de 50% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, confirmando a importância das políticas públicas de inserção social.
A prioridade é fundamental, mas é importante considerar outras camadas, inclusive aquelas que mudaram de patamar e se encontram numa faixa de indefinição. A nova classe média experimenta um novo quadro de acesso aos bens de consumo, mas começa a pagar uma conta pela qual não foi responsável: o aumento da inflação. O país agiu no sentido de mudar o seu cenário social, mas foi leniente ao não investir na infraestrutura e, principalmente, no setor produtivo. Hoje, temos um consumo em curva ascendente enquanto a produção não dá conta do mercado. Como resultado, os preços sobem, mesmo em períodos em que não haveria motivo para isso ocorrer.
O desafio de acabar com a miséria deve ser acompanhado por ações de combate à inflação, pois não há espaço para o retorno aos tempos em que a incerteza dos preços gerava um mercado de especulação. Há um elevado contingente de brasileiros que, sequer, sabe o que é inflação por não ter convivido com a ciranda de preços dos anos 1980. É preciso, pois, estar atento para os picos que já incomodam, embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha afastado qualquer risco. Como o discurso nem sempre corresponde aos fatos, é vital insistir na vigilância.

Um comentário:

Airton Leitão disse...

Ranieri,
Tenho verdadeiro horror de inflação. No governo de Sarney, enfrentei, em 1988, como Secretário Municipal de Fazenda uma tal de URV diária, que era uma espécie de moeda corrente, e um salário mínimo que mudava todos os meses. A folha de pagamento aumentava todos os meses, inclusive a dos estatutários. Deus sabe como conseguimos chegar ao final do Governo e entregar ao novo dinheiro em caixa para pagar a folha dos servidores em dia.
Também penei para pagar uma dívida bancária. Fui obrigado a trabalhar em Manaus em 1989, para conseguir saldar a dívida bancária.
Espero que essa ameaça não se confirme, pois já passei dos 70 e poderei infarta.