
Em números de hoje, cerca de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo de acordo com dados de organizações internacionais, como a própria ONU; e a situação, se nada for feito, tende a piorar com o agravante da escassez de água, que já afeta alguns continentes. Em razão disso, são cada vez mais importantes os eventos como o Fórum de Davos, na Suíça, e o Fórum Social Mundial, em Belém do Pará. Um dos temas para reflexão envolve a crise do sistema alimentar mundial, que atinge diversos países desde o ano passado. Ontem, foi realizada a Conferência Internacional Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.
Diversas demandas, que preocupam a humanidade, são resultado da desmobilização do próprio homem. Hoje, quando a natureza reage com calor no inverno, frio no verão, chuvas torrenciais e secas intermináveis, não se pode repassar a culpa quando vários alertas sobre o comportamento ambiental foram dados. Nos EUA, só agora, sob nova direção, o Governo admite aceitar o Tratado de Kyoto, que reduz a emissão de gases. O presidente Barack Obama foi além ao reduzir o prazo para as montadoras implantarem tecnologias nos carros que reduzam a poluição e o consumo de combustíveis.
Mas foi preciso mudar o presidente e ampliar a conscientização de que o problema é coletivo. A fome e a escassez de água vão pelo mesmo caminho. Quando alguém tenta fazer campanhas contra o desperdício, dificilmente encontra eco na sociedade. O brasileiro, sobretudo, tem uma cultura de desperdício que deve ser combatida, pois chegará um momento em que não haverá mais tempo para reclamação. O fato de o país ser a caixa d’água do mundo, como alguns gostam de dizer, não permite o abuso de consumo e má utilização da água, que aqui serve até para “varrer ruas”.
A alimentação é, talvez, um dos problemas mais cruciais, pois quando se estabelece que 1 bilhão passa fome, há uma grave advertência para os desdobramentos dessa situação. Não há novidades nos fluxos migratórios, pois as vítimas têm, por sobrevivência, que buscar novos lugares. E, aí, amplia-se a intolerância contra os imigrantes. Os países do primeiro mundo e os emergentes têm que se conscientizar da importância de investimentos nas regiões mais pobres, para garantir a sobrevivência de suas populações e mantê-las fixas no local de origem, pois ganham todos.
Só que, pelo menos até hoje, as nações mais ricas não conseguiram desviar o olhar do próprio umbigo, cuidando apenas de suas demandas. Hoje, mais do que nunca, quando a globalização é irreversível, os problemas também são.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado
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