O presidente Lula, que no início da crise global anunciou que o Brasil seria afetado
apenas por uma marolinha, dá mostras, agora, de que age com os pés no chão.
Durante visita à feira Couromoda, em São Paulo, disse que o Governo adotará todas
as medidas necessárias para diminuir os efeitos do impasse econômico, e admitiu que
alguns ajustes imediatos - mesmo sem apontá-los - precisam ser feitos. Melhor assim,
pois seria ingenuidade dele, e de quem aposta nesse sentido, achar que o pior já
passou. Não é à toa, por exemplo, que a Alemanha anunciou, ontem, um investimento
de 50 bilhões de euros na sua economia para evitar o pior.
É fato que ninguém sabe o que vem pela frente, como também não se sabia o que iria
ocorrer no mercado global até meados do ano passado. Salvo alguns avisos, a maioria
dos especialistas apostava nos papéis em detrimento da produção, pois era muito mais
negócio. A lucratividade não tinha limites e o descontrole era total. Deu no que deu.
Por isso, como não se sabe quando esse cenário de incertezas vai acabar, o melhor a
fazer é tomar providências para garantir, pelo menos, uma passagem mais tranquila
por esse mar revolto.
A mudança de posto nos Estados Unidos será importante para definir os rumos do
mundo. O presidente Barack Obama tem anunciado que vai investir forte para
retomar o crescimento e garantir a estabilidade da economia. Se for bem sucedido,
todos ganham, pois foi lá que tudo começou, quando as carteiras dos bancos
aceitavam todo tipo de cliente em busca de um imóvel sem, sequer, avaliar sua
capacidade financeira.
O ano, que está apenas começando, será um grande teste para as lideranças, e no
Brasil não será diferente, pois todas as instâncias de poder estão sendo desafiadas a
tomar medidas criativas. União, estados e municípios, mais do que o dever de casa,
têm que tomar providências para garantir que a crise pode ser revertida. Afinal, como
diz o presidente Lula, é uma boa hora para se tirar algum proveito.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado
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