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Jogo de interesses
As eleições das mesas diretoras da Câmara Federal e do Senado têm revelado um lado perverso da política: o jogo de interesses que se estabelece nos bastidores, gerando um pantanal de negociatas, ou melhor, como lembrou o senador, por Minas, Wellington Salgado, “um clima tão pesado que não se consegue vender a alma ao Diabo, porque tem gente oferecendo de graça”. Nos discursos, é possível pinçar outras frases como “estão prometendo até terreno na lua para ganhar voto”. A eleição está marcada para segunda-feira, dia 2 de fevereiro, quando o Congresso abre os trabalhos de 2009.
A imagem que se tem dos deputados e senadores fica comprometida por tais práticas, embora nem essas devam surpreender o leitor mais atento. A Mesa Diretora é estratégica para o parlamento e para o Governo, demandando, pois, uma série de negociações para sua formação. O ex-presidente José Sarney mudou o jogo, criando uma fissura nas relações entre o PMDB e o Partido dos Trabalhadores, já que, em princípio, os dois tinham feito um acordo pelo qual cada um comandava uma das casas.
Como em política tudo muda, como bem lembrava o ex-governador Magalhães Pinto, as próximas horas serão decisivas, já que os atores políticos jogam todas as fichas. O presidente Lula, estrategicamente, se mantém distante, seguindo uma velha máxima de que não deve se meter em discussão alheia, mesmo sendo parte interessada no seu desfecho. Está tranquilo, pois tanto o petista Tião Viana quanto o peemedebista José Sarney são seus aliados. Daí, é melhor sair da linha de tiro.
O que se tira como lição é a equiparação de interesses. Se havia alguma impressão de que nas instâncias superiores as articulações tinham um mínimo de civilidade - boa parte dos senadores já exerceu cargos de governador -, ela se desfez. A busca do poder revela caráter e até desfaz parcerias. Mas em política há um dado diferente. Depois de tudo, a máquina continua andando à espera de um novo embate.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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