segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


É bom esclarecer

Numa reunião fechada de pesos-pesados da economia, na última quarta-feira, no Rio

de Janeiro, como revelou o jornal “O Globo”, o empresário Emílio Odebrecht, que

lidera o grupo ao qual empresta o nome, teria proposto um mandato presidencial

maior para enfrentar a crise, que necessita de medidas duras. O discurso foi

interpretado como a defesa de um novo mandato para o presidente Lula. Em princípio,

não. Ao dizer mandato presidencial maior, ele ficou mais próximo de um ciclo de cinco

anos do que de uma nova reeleição, mas é bom esclarecer.

No meio de uma crise sem precedentes, que afeta, indistintamente, todos os

segmentos, não dá para discutir o tempo de mandato do chefe do Executivo e, muito

menos, se vale, ou não, a pena mudar as atuais regras. Há outras prioridades, e o

enfrentamento do caos é uma delas. O Governo deve se afastar dessa discussão,

ainda mais quando ela soa, para alguns, como uma tentativa intempestiva.

Os empresários que se reuniram no Rio devem, sim, avaliar as medidas tomadas nos

últimos dias, como a cessão ao BNDES, pelo Tesouro Nacional, de R$ 100 bilhões

para socorrer empresas, a começar pela Petrobras. A ideia, certamente, é eivada das

melhores intenções, mas será a mais eficiente? O Governo tem que tomar medidas

rápidas, mas é importante que imponha consistência aos seus projetos, a fim de evitar

que o problema esteja apenas sendo jogado para a frente.

As ações oficiais devem ser tomadas sob o olhar interno, para evitar a debacle do

setor produtivo, ficando atentas ao resto do mundo, a começar pelo vizinho Estados

Unidos. Sob nova direção, os americanos estão ansiosos para ver o que o presidente

Barack Obama vai fazer no curto prazo para debelar a crise. Seus passos serão

acompanhados por outras economias, uma vez que o problema, independentemente da

cultura de cada país, foi endêmico, afetando a todos.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado



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