
É bom esclarecer
Numa reunião fechada de pesos-pesados da economia, na última quarta-feira, no Rio
de Janeiro, como revelou o jornal “O Globo”, o empresário Emílio Odebrecht, que
lidera o grupo ao qual empresta o nome, teria proposto um mandato presidencial
maior para enfrentar a crise, que necessita de medidas duras. O discurso foi
interpretado como a defesa de um novo mandato para o presidente Lula. Em princípio,
não. Ao dizer mandato presidencial maior, ele ficou mais próximo de um ciclo de cinco
anos do que de uma nova reeleição, mas é bom esclarecer.
No meio de uma crise sem precedentes, que afeta, indistintamente, todos os
segmentos, não dá para discutir o tempo de mandato do chefe do Executivo e, muito
menos, se vale, ou não, a pena mudar as atuais regras. Há outras prioridades, e o
enfrentamento do caos é uma delas. O Governo deve se afastar dessa discussão,
ainda mais quando ela soa, para alguns, como uma tentativa intempestiva.
Os empresários que se reuniram no Rio devem, sim, avaliar as medidas tomadas nos
últimos dias, como a cessão ao BNDES, pelo Tesouro Nacional, de R$ 100 bilhões
para socorrer empresas, a começar pela Petrobras. A ideia, certamente, é eivada das
melhores intenções, mas será a mais eficiente? O Governo tem que tomar medidas
rápidas, mas é importante que imponha consistência aos seus projetos, a fim de evitar
que o problema esteja apenas sendo jogado para a frente.
As ações oficiais devem ser tomadas sob o olhar interno, para evitar a debacle do
setor produtivo, ficando atentas ao resto do mundo, a começar pelo vizinho Estados
Unidos. Sob nova direção, os americanos estão ansiosos para ver o que o presidente
Barack Obama vai fazer no curto prazo para debelar a crise. Seus passos serão
acompanhados por outras economias, uma vez que o problema, independentemente da
cultura de cada país, foi endêmico, afetando a todos.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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