terça-feira, 7 de setembro de 2010

Política ou polícia?


Em entrevista ao jornal “O Globo”, o candidato à Presidência pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, denunciou o que ele chama de despolitização da campanha. Tem razão, o viés ideológico tem passado longe dos palanques, ora ocupados por denúncias em torno do vazamento de dados da Receita. A disputa pela sucessão de Lula está mais para a delegacia de polícia do que para a política. Trata-se de uma perda preocupante de qualidade, pois o eleitor se afasta dos temas importantes, ficando apenas na arquibancada à espera de uma conclusão das investigações.

O surgimento de mais uma denúncia, agora com um servidor da Receita Federal de Minas Gerais acusado de acessar dez vezes os dados pessoais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, na delegacia da Receita em Formiga, aumenta a temperatura, sobretudo por ser filiado ao Partido dos Trabalhadores. Ele causa constrangimentos à legenda do presidente da República e aguça ainda mais a articulação da oposição para politizar o tema.

As investigações devem ir até o fim, e rápido, mas é necessário retomar a discussão sobre o país. Falta menos de um mês para a eleição e ainda não é possível identificar a postura dos candidatos sobre questões relevantes como reforma política, reforma tributária e o gargalo da Previdência Social. Os candidatos, hoje, estão apenas num jogo de ataque e defesa sem entrar no mérito do que é, de fato, necessário.

Como uma questão não elimina a outra, isto é, investigar e punir é um dever de Estado, e discutir as demandas é outro ponto importante, a conciliação das duas agendas deixará o eleitor mais confortável, pois terá meios de definir o seu voto às claras, sem o risco de ir à deriva para as urnas.

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