
Com honrosas exceções, o debate político, a menos de um mês do pleito, está sendo marcado por denúncias nas quais entre acusação e defesa não se produz nada a não ser material próprio para uma delegacia de polícia. E isso não é bom para ninguém, muito menos para o país, sobretudo com a entrada do próprio presidente da República nessa seara. É correto fazer campanha para sua candidata, mas é perigoso entrar no mérito da questão quando, como chefe de Estado, deveria ficar neutro, a fim de cobrar a apuração rigorosa, que se faz necessária. Com isso, ele também leva para os palanques uma questão que fere princípios de sigilo fiscal, mas que se esgota com a punição severa dos culpados.
Não é de hoje, porém, que esse tipo de postura entra na agenda dos candidatos. No Brasil, em vez de programas e metas de interesse coletivo, o que mais se faz é desconstruir o adversário, tática, aliás, que não produz um só voto. O eleitor, a despeito da dificuldade de acesso aos programas, não cai mais nesse declaratório. A crítica recorrente, principalmente quando não tem o embasamento de provas, acaba se virando contra o autor.
O que se espera para esses últimos dias de campanha, é o incremento de propostas que apontem para o amanhã, pois é essa a preocupação dos brasileiros. Como o país vai se comportar sob nova direção e se há projetos para manter o ciclo virtuoso da economia? Num cenário em que o viés ideológico - infelizmente - conta pouco, é preciso, no mínimo, cobrar dos candidatos ações que garantam a manutenção da qualidade de vida que mudou a configuração das classes sociais do país.

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