quarta-feira, 30 de abril de 2008

TERCEIRO MANDATO?



O presidente Lula tem razão ao desconsiderar os números do Instituto Sensus que revelam a preferência de metade da população por um terceiro mandato, uma vez que, como ele próprio diz, não está previsto em lei. Ademais, Lula tem idade suficiente para esperar quatro anos e disputar em 2014, de acordo com as regras do jogo. A segunda reeleição, pleiteada por alguns segmentos, muitos bem próximos do presidente, é um desserviço ao país, pois seus defensores, focados apenas no Planalto, não percebem que estarão criando regras semelhantes para os estados e municípios, nos quais a disputa tem um componente diferente, sobretudo na luta pelas prefeituras.
Com a reeleição, vários prefeitos usam e abusam para um segundo mandato. Se tiverem chances de um terceiro, o jogo será mais bruto. Só quem desconhece a realidade das pequenas cidades é que defende a perenidade no poder. No interior, as disputas são pessoais, como cidades partidas, forjadas no viés dos contras e dos a favor, não havendo concessão para neutralidade. Em razão disso, quase sempre a irracionalidade sobe aos palanques, induzida, sobretudo, pela falta de controle, bem diferente das metrópoles, nas quais a pluralidade ideológica funciona como filtro.
Ademais, retorna-se a discussão da fragilidade das regras eleitorais. O país clama por uma reforma política consistente, capaz de pacificar o interesse das ruas, mas nesse ciclo, várias mudanças foram feitas sem uma discussão formal com o eleitor, algumas delas, aliás, resultado de interpretações judiciais, como foi o voto vinculado. Como se vê, foram feitas várias mudanças, que acabaram não chegando a lugar algum, fruto do experimentalismo.

Mais um, sem uma discussão profunda, não é o melhor caminho.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

segunda-feira, 28 de abril de 2008

IDOSOS CRESCEM


O forte ritmo de envelhecimento da população da América Latina fará com que os países da região tenham menos tempo que as nações desenvolvidas para se adaptar às mudanças que ocorrerão em sua estrutura populacional. A avaliação é do diretor do Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (Celade) da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Dirk Jaspers. Na edição desta segunda-feira, no diário O Globo, ele afirmou que a população de 60 anos ou mais cresce, em média, 3,5% por ano na região. Isso fará com que o grupo de pessoas nessa faixa etária seja quadruplicado entre 2000 e 2050.
- No Brasil, por exemplo, a proporção de pessoas idosas (hoje em torno de 11%) chegará a 25% da população em 2050. Trata-se de um aumento mais rápido que o registrado nos países desenvolvidos da Europa. A principal conclusão desse fenômeno é que os países em desenvolvimento terão menos tempo para se adaptar às conseqüências do envelhecimento da população - afirmou Jaspers.
Um dos principais desafios gerados por esse fenômeno está na criação de uma rede de proteção social para a população idosa. Outro desafio são os custos que isso pode ter para os países. Segundo Jaspers, os governos precisam usar o atual momento de crescimento econômico para realizar reformas que tornem a Previdência Social mais eficiente e ampliar as oportunidades no mercado de trabalho. No entanto, especialistas ouvidos pelo 'Globo' afirmam que uma reforma dificilmente deve ocorrer no Brasil a curto prazo.
A reforma da Previdência representa um alto custo político presente, enquanto o benefício é futuro. O que já foi feito para melhorar a gestão do sistema no Brasil é pouco e está longe de solucionar os efeitos das mudanças na população. Não estão levando suficientemente a sério o que está ocorrendo com a população idosa .

Editou: M. J. Ranieri, jornalista

domingo, 27 de abril de 2008

FALTA DE PREVISÃO


A inflação de demanda é paradoxo econômico mas é fato. Quando o consumo aumenta e a produção não acompanha, os preços tendem a subir, sobretudo quando não há infra-estrutura para resolver o problema no curto prazo. Esse é um fator recorrente nos países emergentes, cujas políticas de investimentos não estavam adequadas aos novos tempos. O que ocorre no mundo e, por extensão, no Brasil, não é surpresa. O preço dos alimentos está subindo em razão do acesso de novos consumidores no mercado. O brasileiro, desde a implantação do Real, mudou seus hábitos, passou a comer mais e melhor. Só que a produção não acompanhou.
O mesmo ocorre no mundo. Basta avaliar a situação da China, onde cerca de 400 milhões de pessoas mudaram seu patamar de consumo. Produto nacional, o arroz paga, agora, o preço desse novo cenário. Não só subiu de preço, como está em falta no país com o maior número de habitantes do planeta. No Brasil, a queixa é de aumento dos preços, mas até o petróleo tem seu papel, pois à medida que o barril custa mais caro, o reflexo nos combustíveis é imediato, e aí sobe o frete e a conta cai no colo do cidadão.
O que chama a atenção é a falta de previsão dos governos. Apesar de todos os avanços, sobretudo na área tecnológica, não houve quem advertisse para o problema. Só agora, quando a situação se agrava, é que são discutidas soluções.
Mais do que nunca, o homem prova que só depois da casa arrombada é que são tomadas as providências. O Brasil não é o mesmo, mas até hoje a falta de investimentos na infra-estrutura é um fato. Vive-se de acordo com o dia-a-dia, sem que alguém pense nas conseqüências desse crescimento. O apagão foi a primeira prova de que não se trabalha com previsões. Agora, quando o consumo dobra, cada país tenta cuidar do seu espaço, retendo as exportações. Por enquanto, ficou bom para os produtores brasileiros, que com preço alto e uma ampliação do mercado interno, vão ganhar. Mas por quanto tempo?

Editou: M. J. Ranieri, jornalista

sábado, 26 de abril de 2008

BRASIL NA REDE


A internet brasileira voltou a bater recordes em março, informou nesta quinta-feira a consultoria Ibope//NetRatings. O número de usuários residenciais que acessaram a internet ultrapassou os 22,7 milhões, 3,2% em relação ao mês anterior e 40% a mais do que em março de 2007. Outro marco registrado na internet do Brasil confirma a liderança do país em tempo de navegação por mês: os usuários que acessam a web de casa gastaram 23 horas e 51 minutos em visitas a sites, uma hora e 27 minutos a mais do que no mês anterior e quase três horas acima da média de março de 2007. Em fevereiro, o país chegou a 40 milhões de usuários ativos no trimestre - dados que consideram não apenas acessos residenciais, como também acesso a partir do trabalho, escola, cybercafé, bibliotecas e telecentros comunitários. ( Da BBC: Brasil cai para 59 em ranking global de internet encomendado pelo Fórum Econômico Mundial ).


Segundo Alexandre Sanches Magalhães, gerente de análise do Ibope//NetRatings, a entrada dos usuários de computador da classe C ajudou a reforçar o grupo de internautas residenciais, tendência que, segundo ele, deve se manter, já que o país vive "um bom momento econômico, com maior número de trabalhadores com carteira assinada". Segundo Magalhães, as condições estáveis da economia permitem que um número maior de brasileiros obtenham financiamentos para a compra de computadores para a família.


Existem dois fatores ligados à família típica da classe C. Os pais acreditam que a internet dará uma vida melhor para seus filhos, por isso não poupam esforços para obter o acesso residencial, e os filhos querem ser iguais a seus pares, ou seja, poder chegar na escola ou na rua e dizer que têm internet em casa.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

quinta-feira, 24 de abril de 2008

PODE SER PIOR


O epidemiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, alerta: se população e autoridades não levarem realmente a sério o combate ao Aedes aegypti, uma nova epidemia de dengue poderá ocorrer no verão de 2009. E o que é pior: a doença poderá ser tão ou mais letal no próximo ano. O superintendente em Vigilância em Saúde do estado, Victor Berbara, concorda com o especialista. Berbara observa que no Sudeste Asiático, onde circulam os quatro vírus, os casos graves são cada vez mais freqüentes por causa das sucessivas epidemias.
Desde o início do ano já foram registradas 92 mortes e 110.783 casos, no estado do Rio. Na epidemia de 2002, durante todo o ano, 91 pessoas morreram e 288.245 casos foram registrados. Berbara diz que a epidemia de 2002 também era grave, tanto que o número de mortos foi elevado. Mas que a situação atualmente é ainda mais preocupante. "Temos atualmente os tipos 2 e 3 do vírus circulando. Até dezembro de 2007, o vírus predominante era o do tipo 3. No início do ano, o vírus 2, que é mais agressivo, passou a dominar, por isso, tantos casos graves. Ainda há muita gente suscetível. Por isso, não podemos relaxar no combate ao mosquito. Se não quisermos enfrentar uma nova epidemia em 2009, temos de trabalhar muito", alertou Berbara.
Apesar dos estudos em andamento para a criação de uma vacina contra a dengue, o epidemiologista acredita que somente dentro de oito a dez anos ela estará disponível no mercado para o uso da população. E mesmo assim, ressalta Medronho, ela não será suficiente para evitar infestações e até mesmo óbitos, pois sempre tem alguém que não toma a vacina.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

quarta-feira, 23 de abril de 2008

BEBIDA X FISCALIZAÇÃO


Novo foco
A votação da medida provisória mudando as restrições na
comercialização de bebidas alcoólicas nas rodovias federais - agora
só vão valer para a área rural - é um avanço na discussão, pois,
desta vez, houve espaço para o contraditório. Quando decidiu, por
conta e risco, vedar a venda de modo geral, o Governo esbarrou não
apenas na opinião pública, mas também na legislação, sendo
obrigado a acatar várias decisões em contrário que visavam
resguardar direitos. Agora, além da liberação nas áreas urbanas, a
melhor saída foi reconhecer que é melhor investir na fiscalização do
que na proibição.
E deve ser assim. Um motorista disposto a beber não carece de
parar num ponto da estrada para comprar o produto. Leva na
bagagem. O que é preciso fazer é punir quem dirige alcoolizado, pois
coloca a sua e a vida de terceiros em risco. Quando o Estado impor o
seu braço cobrando o cumprimento da lei, certamente o cenário das
estradas será outro.
Mas não basta uma fiscalização aleatória, só na fase inicial da nova
política. É preciso sistematizar as ações da Polícia Rodoviária, pois só
com o tempo será possível reverter a situação. O Código Nacional de
Trânsito, quando entrou em vigor, mudou o comportamento dos
motoristas, mas por falta de ações freqüentes, a situação voltou ao
patamar anterior, com abusos tanto nas rodovias quanto nas áreas
urbanas. Hoje, é comum verificar infrações de toda monta,
sobretudo por conta da falta de efetivo para fazer cumprir a lei.
Em razão disso, o Governo age corretamente quando muda o foco
de suas ações, mas terá que implantar a etapa seguinte, que é o
aparelhamento das polícias, a fim de que as medidas necessárias
sejam tomadas. Se o acompanhamento do Código de Trânsito
tivesse no mesmo ritmo de sua implantação, não seria, sequer,
necessário impor restrições ao uso de bebidas alcoólicas nas
estradas. Os próprios usuários já teriam se conscientizado, mesmo
que à força, que a combinação volante e álcool não dá certo sob
hipótese alguma.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

terça-feira, 22 de abril de 2008

Entrevista ensaiada


A coletiva do chefe de polícia de São Paulo, ontem, e os
episódios recentes envolvendo o caso da menina Isabella deixaram
de ser um mero fato policial, no qual os dois suspeitos já estão
indiciados, para se tornar um show, no qual cada um tenta ter mais
espaço que o outro, e a mídia nacional cada vez mais beligerante
para obter novas informações. Domingo, a entrevista (?!) do casal
Nardoni deu picos de audiência ao Fantástico, da Globo. Ontem, a
Record desqualificou a entrevista.
Tal cenário cria um perigoso caldo de cultura na opinião pública, que
se move de acordo com a repercussão dos fatos. Independente de
serem culpados ou não - tudo indica que sim - cabe ao Estado agir,
pois a ele cabe o papel de executar a decisão da Justiça. Há uma
certa insanidade que produz cenas como essa. É algo perigoso.

Em meio a isto tudo, encontramos opiniões que não podem ser
desprezadas, como a da internauta Thaly em seu flog, que cito na
íntegra, por considerá-la uma análise bastante fiel sobre a
entrevista do casal. Eis o que diz Thaly:
"Na entrevista q eles deram so pude ver hj na internet , ficou claro
pra mim que eles não são "família "como pretenderam passar. Um
casal que passa por uma situação destas e que se amam, irão se
tocar, segurar nas mãos um do outro, fazer algum afago, enfim,
demonstrar amor. Não se viu durante toda a entrevista o menor
sinal de carinho um com outro; a entrevistada manteve o tempo
todo sua mão direita presa entre suas pernas, ela usa aliança na
mão esquerda, ele está sem(reparem). Ele consegue esquercer-se
da promessa que diz ter feito sobre o caixão da filha, ela o lembra
dos detalhes da promessa e de outras falas; ele faz força para se
emocionar e não consegue, ela chora mais por sua imagem que pelo
problema em si; a defesa monta uma linha "estranha "de conduta
para eles, dando a impressão de que eles ensaiaram o tempo todo
suas falas; mas principalmente Alexandre não se recorda em muitos
pontos do que iria falar e como tábua de salvação retorna a história
de q eles são família. A linha de defesa, frágil, ao meu ver, deveria
se preocupar mais em demonstrar a inocência de seus clientes,
talvez, penso eu, deixando a reportagem se ater as provas periciais
e rebatê-las pelos entrevistados. Esta linha em que se apostou, a de
mostrar um casal unido, sofreu um infarto, pois não convenceu a
opinião pública mt pelo contrário. É certo que, a defesa
propriamente dita, só irá ser incisiva no Tribunal do Juri, na fase do
processo de pronúncia, dispositivo legal em que o juiz, baseando-se
na denúncia, poderá ou não levar os réus ao júri popular ;neste caso
em que as provas estão apontando "culpados", sem sombra de
dúvidas os advogados deveriam mudar a estratégia de defesa, ao
invés de inocentar, buscar uma diminuição de pena, ao invés de 200
anos, uns 150 anos não está bom??!!"

Editou: M. J. Ranieri, jornalista