
O presidente do Senado, José Sarney, na primeira visita oficial ao presidente Lula, disse que uma de suas metas é andar com a pauta do Congresso, destacando a votação das reformas política e tributária. De fato, são matérias importantes, que até hoje esbarram no jogo partidário, ficando sempre na dependência de uma nova avaliação. Enquanto isso, o país reclama da massa tributária, que afeta o setor produtivo, e da ausência de mudanças no projeto político, mantendo uma legislação com várias áreas de sombra.
Na conversa, segundo relato do senador, foi dito ao presidente que o excessivo número de medidas provisórias e o ritual para a sua tramitação são inaceitáveis no processo democrático. O Governo, desde o ciclo tucano, tem utilizado as MPs como um instrumento - em tese, de urgência - para tocar sua agenda, fugindo dos objetivos que levaram à sua criação. Elas têm prevalência sobre outros projetos e ainda bloqueiam a pauta do Congresso enquanto não forem votadas. Há excesso de papelada parada.
Nessa primeira semana de mudanças nas duas principais casas legislativas, a leitura inicial é de que os dois parlamentares, embora façam parte da base do Governo, têm demandas independentes, sobretudo pelos votos que obtiveram na última segunda-feira, vindos de governistas e da oposição. O senador José Sarney, que esteve por cinco anos do outro lado do balcão, quando ocupou a presidência da República, conhece bem a necessidade de mudanças.
No cenário tributário, a reforma chega com um grande atraso. O Brasil registra uma das maiores incidências de impostos no preço final dos produtos, que acaba comprometendo a vida dos consumidores e a sua performance no mercado internacional. Enquanto nos EUA o presidente Obama faz o jogo protecionista, dando ao setor do aço a garantia de que vai ser beneficiado pelas compras internas, ao Sul do Equador o discurso é outro. Tira-se cada vez mais de quem, de fato, está alavancando a economia. A lição dada pela falência do mercado deve ser levada em conta, a fim de garantir direitos a quem, de fato, trabalha.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado


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