quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Risco nas previsões



O presidente Lula, que continua surpreendendo a todo tipo de análise política, uma vez que nem mesmo a crise global abala o seu prestígio - segundo o Instituto Sensus, ele tem 84% de aprovação -, largou o discurso da marolinha e disse, ontem, com propriedade, que os meses de fevereiro e março ainda poderão ser críticos, sobretudo para a indústria. Não há surpresa no tema, pois a retração é um fato, mas é importante por ter vindo de alguém que até bem pouco tempo considerava o Brasil imune às trepidações da economia mundial.

O mais emblemático, aliás, foi a complementação de que o problema de crédito, nó górdio de todo o sistema, está sendo resolvido. Os três primeiros meses de 2009 serão vitais para a economia, por servirem de termômetro para as medidas que estão sendo tomadas, a começar pelo pacote de quase US$ 1 trilhão pretendido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Se houver algum tipo de reaquecimento, é bem provável que março seja o início da virada.

Mas crise - econômica ou política - é igual a comissão parlamentar de inquérito: sabe-se como começa, mas ninguém ousa prever o seu desfecho. Ao estabelecer o terceiro mês do ano como marco, os economistas agem sob o viés da especulação, com base em projetos que estão sendo implementados, mas ninguém garante que tudo estará mudado. É importante considerar que a queda da economia mundial não ocorreu de uma hora para a outra, sendo, pois, temerário afirmar que tudo terminará de repente.

Há tempos, o mercado vem dando sinais de descontrole, mas os poucos que fizeram algum tipo de advertência foram desconsiderados ou chamados de donos do pessimismo. Agora, quando a meta é sair do poço, não dá para jogar para a arquibancada. O presidente, no alto de todo o seu prestígio, tem mesmo que dizer ao país o que está acontecendo. É desta forma que vai se manter no topo da preferência, pois a população sabe que a gênese do problema foi no andar de cima do cenário internacional.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

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