
As pesquisas que fazem a aferição do prestígio dos políticos têm apresentado um resultado recorrente, de baixa de prestígio do grupo. Não há surpresa nesse diagnóstico das ruas ante o comportamento da classe que pouco se move para reverter a situação. Os escândalos começam nas esferas municipais e chegam a Brasília, num cenário que deixa o eleitor preocupado, pois acaba fazendo o julgamento de todos em razão da ação de particulares. E como agir diferente, se os esforços são pífios, não havendo, sequer, uma mobilização para mexer na legislação e punir os envolvidos em ilícitos?
As ruas, sim, estão articuladas, implantando movimentos sistemáticos para mudar as regras do jogo. O Judiciário, vira-e-mexe, acusado pelos parlamentares de ingerir na seara alheia, tenta fazer sua parte. É o caso do TRE fluminense, que está disposto a barrar candidato com ação penal nas costas. Deve esbarrar em recursos, pois é cláusula constitucional que, somente após uma sentença de mérito e esgotadas as apelações, é possível imputar ao réu uma condição de condenado definitivo. Até lá, ele mantém seus direitos, inclusive de ir às ruas para pedir votos.
Trata-se de uma norma em vigor, mas que caduca diante de tantas evidências. Uma passada de olhos pelos jornais de ontem, só para ficar no exemplo, aponta uma série de ocorrências que desvinculam o eleitor de seu candidato. Quando em campanha, todos prometem uma série de coisas e, entre elas, combater a corrupção. Mas não tem sido assim, criando um cenário de cinismo que precisa ser revertido.
A dificuldade está no corporativismo. O Congresso, a quem cabe a missão de mudar a lei, não demonstra interesse em tomar providências no curto prazo, preferindo jogar a discussão para a frente. Em razão disso, repassa a responsabilidade para o eleitor, que nem sempre é capaz de discernir o joio do trigo, acabando, ele próprio, sendo vítima, pois compra gato por lebre na hora de ir às urnas.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista






